sábado, 26 de dezembro de 2009

MUDANÇAS II

Termina a festa de natal, outra se prepara.
Não cheguei a pensar nas mudanças e lá veem outras. Estou mal.
O mundo conspira e já percebo outra onda que me levará contra o rochedo. Mais mudanças. Imensas!
Uma hora eles alçam voos solitários,buscarão novas aventuras e novas perspectivas de vida. Falo dos filhos, das nossas emoções, daquelas perninhas frágeis que um dia ensinamos a caminhar,daqueles bracinhos pequenos que nos apertavam pra não cair. Filhos! A mais nova desperta olhares maliciosos, a mais velha prepara as malas. Que malas? Tenho a sensação de que sempre estiveram prontas,desde que nasceu. Fui colocando nelas tudo o que imaginava ser útil quando partisse. Não sei se lembrei de tudo, minha mãe tentou,quase acertou mas tive que improvisar e guiar-me pelo coração muitas vezes. É uma matemática generosa,de conceito pueril,mas guarda a somatória de um aprendizado diário e competente. Vou sentir saudade. Vou chorar muito. Vou me arrepender de coisas que não fiz e me orgulhar sempre de muito que eu conseguí fazer! É como treinar exaustivamente pra um campeonato, vencê-lo e saber que não seremos nós a levar o prêmio final. Tão somente vencer pra que outro tenha uma vida melhor,segura e confiante. É agraciar o mundo com lances geniais e presenteá-lo com um ser humano de verdade que investirá sempre no melhor para todos. Eu sabia que este momento chegaria e até torcia por ele, no entanto, acalentava a doce ilusão de não ver a distância entre nós. Estou de fato bastante orgulhosa, mas a sensação que chega é a de "perda". Quando nascem quer nos parecer que nos pertencem,guardamos em nossos braços na real intenção de dizer ao mundo que são nossos. Mas não são, eu sabia! Nada a cobrar,nenhuma discordância. Só a saudade que eu vou ter que juntar e torcer eternamente pelas vitórias que ela colecionará.
Alguém lhe disse que "os barcos ficam lindos e seguros sempre no porto, mas não foram feitos para isso". Então que naveguem! Mas quem falou, esqueceu de dizer também que é preciso voltar de vez em quando e que o tempo leva consigo os portos mais velhos. Portanto, revê-los antes que não mais existam faz parte desta navegação e constitui até um ato de bondade e generosidade!!
Seja feliz,minha doce menina, adorável criatura que Deus me confiou! Fiz o meu melhor, espero que tenha sido suficiente. Muitos beijos!

Cris "mamis".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

MUDANÇAS

Mudanças são necessárias(?).
Eu não "trabalho" bem as mudanças. Não houve terapia que desse jeito. Dizem que estamos em constante mudança,até as pedras mudam; mas e aquela história de "nada muda,tudo se transforma"? Então acho que sou pedra. Sou muda.Sou surda. Sou assim, já vim transformada. Entre uma estação e outra,ia pensando numa forma de me sair bem com a mudança de colégio de minha filha. Perguntei-lhe várias vezes se ela queria isso mesmo e coisa e tal. Exasperada,a menina disse estar achando que era eu quem tinha dúvidas. Esperta, muito sagaz! Nisso que dá desenvolver a inteligência dos pequenos. E era eu mesma, negar o que, a evidência?
Argumentos eu tinha, mas os da outra filha e das notas da pequena eram bem maiores. Elas venceriam fácil mais este campeonato. E tinham razão, com o futuro não se brinca,não se vacila. Era agora e não poderia ser adiado. Mas é uma mudança. Das grandes. Bairro, amigos, caminho, preço, uniformes, horários. Fui ao antigo apenas pra acelerar os papéis necessários e me dei conta do tamanho da encrenca que me aguardava. Muitas mães vieram falar comigo, teve aquele burburinho natural,sabe como é, perguntas,respostas, desdéns. E eu alí, olhinhos marejados, coração apertado. O espaço era fantástico, tudo sempre bem organizado, "temperado", tanta gente conhecida, foi dando um nó na garganta. Ia sentir saudade. A primogênita formou-se ali, tudo era muito familiar. E agora, a pequena precisa mudar, outra escola mais ativa,média maior,um preparo pra universidade. Mas o espaço era menor. "Isso não é tudo o que conta", argumentavam. Como se o meu coração soubesse a diferença. Eu sabia que não. Se pudesse escolher, ficaria tudo na mesma. Não posso ser intansigente, minha filha merece algo mais. Então estou a caminho do outro, do novo, das possibilidades. Não é assim que tem de ser? Pois então.

Beijus (espera aí que caiu um cisco no meu olho. Nos dois.)
Dona Cris.

domingo, 29 de novembro de 2009

EU, O AEROPORTO

Voltei. Foi um tempo de reclusão necessária, pensar e repensar. Mas adivinhem,nada mudou; eu sou o que sempre serei,tão somente me levo de um lado a outro arrastando as asas quando não há vento que me impulsione. E segue a vida.

Hoje me sinto um aeroporto. Dos grandes. Pessoas veem,passam,umas chegam,outras partem. Há lágrimas, risos, abraços, caretas e disfarces por todos os lados; bagagens as mais variadas, coloridas, preto e branco, alegres ou sérias demais, grandes,pequenas e há também a ausência total de bagagem, existindo só as “de mão” mesmo. Um movimentado terminal onde a regra é não estar sozinho jamais. Minha vida tem sido assim. Quando começo a me acostumar com alguém,sentir-me à vontade em sua presença...hora de partir!

Quando quero que outro decole rápido...fica que nem avião descartado. Há os que são feito bagagem desviada...encostam, permanecem até que seu dono apareça. Tem as malas pesadas, as frasqueirinhas, os pacotes enormes e as caixas de presente pra despachar. Tem de tudo. Tem os adiantados demais, os atrasados e os que perdem o voo. Difícil é a tripulação, sempre de passagem mesmo. Há os que gritam para serem ouvidos, a voz que chama para o embarque,que anuncia aterrissagens e há também os que dizem sua verdade sem ao menos palavras soltar. E é no intervalo entre tantas passagens que me observo calada,quieta e pensante, naquele canto esquecido onde repousam aeronaves que um dia brilharam nos céus...agora descansam em paz abandonadas e perdidas no tempo. Constituem a parte triste do aeroporto, a incerteza de que algum dia possam voar novamente. Aí está a parte dos sentimentos, daqueles que passam por mim, notórios e felizes,úteis e procurados,mas que se estabelecem na causa obsoleta do tempo e da plenitude.

Um aeroporto, apenas um. Não muda de lugar, não se faz ouvir, mas está na vida de todas as pessoas que o procuram. Passam, ele fica.


Bjus sabor retorno,

Chris.

domingo, 18 de outubro de 2009

N SOLUÇÕES

Mil Soluções. Não concordo, mas explico.
Passava por um bairro e chamou atenção o letreiro muito bonito de uma loja: Mil Soluções! O que vendem alí, deixo pra vocês imaginarem. É quase impossível uma loja atender a todos e ter tudo, absolutamente tudo a que se propõe. Existem prazos, burocracias, distâncias de fábrica, na prática não teem as mil, mas uma grande parte do que procurarem no estabelecimento. Ok, então veio a palavra neste meu cérebro de elástico e eu fiquei a pensar. Na verdade as soluções são infinitas para tudo quanto pensarmos ou vivermos, ou ainda buscarmos. Para cada problema, cada percalço, sempre haverá uma saída. Ainda que não esteja visível num primeiro momento, ela está lá, acredite, uma hora desabrocha. Porque nada nesta vida fica devendo resposta e muitas vezes é a mudança necessária que nos encontra. Existem sim, "n" soluções. Mesmo quando nada parece mudar ou responder, é em si uma solução, pois aquilo que não a sustenta, solucionado está. É sua solução, sua vida, aceite-a! Mude então, reinvente-se e num passe de mágica, o resultado se estabelece.O "plano b" deve ser traçado muito antes do "a" entrar em ação em nosso cotidiano. Encurtará o caminho até a saída e nos fará crer que o leque é muito mais aberto e infinito do que se supõe. Sou a primeira a "rezar" o mantra todos os dias. Aquele que nos fala com muita intimidade sobre nós mesmos, nossa força e perseverança. Mil soluções pode até ser que nosso amigo da loja tenha, mas está muito limitado. Tem mais a buscar e não consegue as mil a que se propõe.
'Eu posso.
Eu consigo.
Eu confio na força que nos rege e acalenta.
Eu jamais estarei só.l
Meu Anjo está sempre comigo.
A qualquer momento, algo de muito bom irá me acontecer!
MOMENTUM!"

Beijos,
Anjodecristal.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

UM ANO

Tinha que ser hoje. Apesar da pressa, da correria do cotidiano e das poucas palavras que o tempo me permite agora, não deixaria de comentar esta data. Não nasceu ninguém; não partiu ninguém tampouco, graças a Deus. Mas era preciso comemorar. Não um aniversário qualquer,mas um renascimento e uma esperança. Uma certeza de que nossas preces e pensamentos produzem o milagre da continuação da vida. E não uma vida somente, mas a vida de minha filha!
Hoje, exato um ano depois de uma cirurgia inesperada, veementemente renegada, sofrida e de muito exigir de todos nós, podemos sim e devemos comemorar. Foi tudo muito rápido e surpreendente. Da descoberta, do inesperado, da surpresa e da decisão, passou-se um mês. Depois disso tudo o que nos restou foi a resignação e confiança em todos os envolvidos. Orações e lágrimas, dias de muita força e esperança e tudo agora nos envolve em lembranças. Apenas lembranças.
A cicatriz fica para que nos lembremos dia após dia de quanto valor possui cada abraço, cada beijo, cada sorriso, toda chegada, todo sentimento. Faz-nos ver além do que temos, o custo de uma alegria e das pequenas coisas que nos rodeia. Está alí para que nada mais nos amedronte, que tenhamos sempre a fé como companheira de todas as horas e sobretudo lembrarmos da existência de uma força maior que nos envolve! Ela hoje tem onze anos e quando lhe perguntei se se lembrava de tudo o que passou há um ano, ela respondeu que sim, podia ver e sentir tudo o que aconteceu. Lamentei, na verdade queria mesmo que ela esquecesse e me disse ser impossível diante daquela cicatriz imensa. Uma resposta vinda de algum lugar que desconheço, mas certamente a mais feliz para este momento, foi a que conseguí lhe dar: "Deus colocou esta cicatriz aí para não lhe perder de vista, você é muito especial, Ele sabe disso e mantém Seus olhos em você; é inconfundível e Ele sempre sabe onde você está; assim, estará também eternamente sob sua proteção"!
Deus abençôe os médicos, enfermeiras e toda equipe do HSE que muito fizeram e com todo carinho por minha filha. Deus abençôe todos que oraram e confiaram num milagre.Deus abençôe a todos em nossa volta. Deus abençôe nossa família e acima de tudo, Deus sempre abençôe minha filha!!

Beijos a todos,

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO

Definições à parte, sempre achei o preconceito e a discriminação duas das piores formas de manifestar nossas frustrações e desconhecimentos. Não é difícil entender, mas fica intolerante quando vem do lado que sempre reclama deste tipo de distorção. Há um filme que passa de vez em quando na televisão, acho que é "a família da noiva", onde a moça namora um rapaz e resolve levá-lo para conhecer os pais que moram numa outra cidade e teem uma vida confortável e boa condição financeira. Até aí, um-a-um. Só que ela é negra, ele é branco. O pai da moça reage muito mal a isto e faz tudo pra descartar o cara por "achar" que ele quer apenas se aproveitar da filha e sua herança. E nem vou levar em conta aqui a beleza da moça, pois os dois se amavam e nem passou pela cabeça do rapaz o preconceito e discriminação que o pai dela poderia ter. Porque na verdade, é o contrário que costuma ser questionado. Sociedade não muda, não dá um passo à frente. Tão somente inverte os papéis. Ridículos, diga-se de passagem. O personagem do cara se atrapalha todo na tentativa de mostrar ao futuro sogro que é o amor e não a cor que ele foi mostrar e pedir em casamento. Claro, como é um filme, tudo termina bem. Embora o olhar do sogro e algumas frases tenham ficado marcados para sempre no coitado. Num determinado trecho do filme, o personagem pai leva o rapaz para se hospedar num hotel e deixar a casa dele; o rapaz pergunta desde quando ele havia reservado aquele quarto alí, ao que o sogro responde "desde que ela nasceu". Incrível!!! Ele sempre teve em mente que uma filha mulher e negra deveria ser "protegida" contra qualquer "ameaça". Ainda que a ameaça significasse ser muito feliz e amada, senão para sempre, ao menos por um longo tempo.E mesmo sabendo que ela cresceria e tomaria consciência de suas vontades e lugar no mundo. E ainda, que talvez nem optasse por alguém do sexo oposto. Não, aí o velho surtaria, com toda certeza. Certa vez encontrei um amigo de infância e fomos conversando até ele me perguntar quantos filhos eu tinha etc. Respondí que tinha duas lindas princesas e também quis saber dele. Foi aí que se revelou um grande machista, preconceituoso e discriminador quando respondeu: "Tenho dois filhos homens (e riu), não dou nada pra ninguém". Não vai aqui nenhum preconceito de minha parte pelo fato dele ser negro, mas deixo registrado em letras garrafais para que nenhum outro ouse algum dia e vez tornar a me dizer uma aberração feito esta e encare como eufemismo: ENERGÚMENO, MACHISTA, IMBECIL E TOTALMENTE SEM NOÇÃO DE COISA ALGUMA NESTA VIDA. E SE JÁ ERA DIFÍCIL NOS ENCONTRARMOS QUE FIQUE AGORA TOTALMENMTE IMPOSSÍVEL NESTA VIDA, NEM QUE PARA ISTO EU ME TORNE INVISÍVEL A FIM DE NÃO ME DAR O DESPRAZER DE VER A SUA CARA NOVAMENTE. AH, OUTRA COISA. ENFIA A CABEÇA NO VAZO E DE DESCARGA. O MUNDO AGRADECE.

CHRIS.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A BAILARINA DAS LETRAS

Não tenho grandes pretensões. O pico da montanha não me parece o lugar ideal para se viver . Ainda assim é para lá que me pedem pra ir. Conhecí uma garota, uma bailarina, perfeita em seus movimentos mas que se recusava a viajar, morar em outro país pra se dedicar mais a dança, tornar-se uma grande bailarina. Dizia que tudo de que ela precisava tinha por aqui e nenhum espaço seria melhor do que a própria vida. Tentavam, em vão, lhe convencer de que somente estudando em outros lugares distantes e especializados conseguiria chegar ao ápice da perfeição e estar entre as grandes bailarinas de seu tempo. Isto não a encorajava pois tudo que queria era dançar. Apenas isto. Não queria ser perfeita, nem a primeira, tampouco a grande e favorita. Dançar. E só. Não poderia perder tempo buscando o olimpo enquanto suas pernas buscavam somente o bailar ao ritmo da música e a levar aos palcos para interpretar sua vida. Dançar. E só.
Pensei em mim. Na "bailarina" que eu sou enquanto escrevo. Não quero frequentar nenhuma universidade, nenhum curso extensivo para fazer o que meu coração e alma pedem. Escrever. E só.
Não quero doutorado, nenhum reconhecimento acadêmico ou fardão na minha velhice. Quero tão somente deitar palavras numa folha em branco, fazer bailar as minhas idéias, valsar com este dom que Deus me deu. Quero sentir a brisa que se desprende de cada frase, o sorriso e a lágrima que enfeitam meu rosto a cada parágrafo e a respiração ofegante por cada ponto final que se aproxima. A síntaxe de idéias fantasiosas e relatos maduros ou pueris. Quero o brilho em meu olhar ao repassar o texto pronto e versado, a reticência no conto além da realidade, a combinação dos passos de um poema!
Não, não quero o benemérito de meus escritos. Ouso meu voo solitário, mesclado às letras que compoem as minhas asas.
Quero escrever. E só.

Beijo com carinho,
Cris.

sábado, 22 de agosto de 2009

ESCOLHAS

Sou mais uma exilada de sábado a noite, então aproveito que acabei de vir de uma sessão pipoca com a filhinha e "bateu" aqui uma questão pessoal mas que muita gente por aí se identifica,com certeza.
O filme "Era do gelo III" ( há muito queria ver também,sou louca por estes filmes,hahahaha), muito engraçado e com boas lições. Vale a pena conferir.
Tenho mania de analisar algumas cenas e seus diálogos. Uma em especial deixou-me reflexiva até agora. O esquilo que persegue a noz desde o primeiro filme encontra uma companheira de cena, uma fêmea e...bem,não vou contar as cenas dos dois, hilárias por sinal, mas o que vinha implícito ali. Estranho pois foi exato nisto que pensei a semana inteira. A escolha que fazemos por estar sozinhos, em nossa companhia e de algo que nos fale mais alto,nos dê maior prazer no momento. Saber enxergar a felicidade sem contar com uma outra pessoa é algo fantástico. Não vejo egoísmo nisso. Não faço apologia à solidão, mas é reconfortante saber que estamos bem estando sozinhos. Algumas vezes fazemos escolhas equivocadas e é muito boa a sensação de sairmos delas sem feridas e em prol de algo que nos reconforta e dá mais alegria e satisfação. Ou nem isso, apenas o deslizar de novas idéias,novas metas fazendo crer que sempre haverá possibilidades do lado de lá. Nem sempre teremos a chance de voltar ao ponto de partida e no entanto nos basta a condição de poder resguardar nosso direito de escolha. É isso que vivencio no momento. Gostar de mim, de estar comigo e com todas as minhas manias, meus livros,minhas escolhas. Ter ficado ao lado de outra pessoa por muito tempo me garante agora a opção de estar escolhendo ficar sozinha. E mesmo depois de ter tido outra companhia, poder voltar atrás e reaver esta condição. Me encontrei mais seletiva, menos ansiosa por acertar e isto vem me garantindo melhor adaptação ao meu "eu" verdadeiro que havia sufocado nos últimos anos. Como o esquilo do filme que não se rendeu a sofismas da outra, escolhí mas não correspondí a expectativa do outro, tampouco me adaptei a nova perspectiva e voltei pra minha "noz". Isso acontece, está no contexto desta busca do ser humano. O bom de tudo é saber que pode voltar, que a janela estará aberta e a "noz" me esperará onde estiver,pois é meu objetivo inicial. Se encontrar quem compartilhe disso comigo sem me impedir, tolher ou exigir demais, será perfeito. Se não, fico comigo mesma pois aprecio por demais o que me cabe, as maneiras de agir e pensar que me acolhem, as ações comedidas, o dia de trabalho e esta diversão totalmente despretensiosa com a filha. Vejo como uma nova fase, nada permanente mas que constitui meu caminho neste momento e das coisas as quais não abrirei mão.
Lamento pela "dona esquila", embora ache que o esquilinho foi mais condescendente. E não sou machista, nem vem!!

Cris.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SEGURANDO A ONDA.

Não tenho o emprego dos meus sonhos, mas não posso me queixar. Na idade indescritível e sem ter terminado a faculdade, conseguir emprego e ganhar alguma coisa com ele é um feito digno de medalha. Ok, pode ser de prata, está valendo. O caminho até lá seria longo não fosse a linha amarela e meu sagrado ônibus de todo dia. Fico até feliz pois é rota de praia, a paisagem é linda, o clima mais ameno e consigo ir sentada até chegar a meu destino, coisa rara!! Ontem fez muito calor e quando isto acontece às vésperas da primavera o carioca não pede explicação, foge pra praia. Ja da pra ter uma idéia de como vai o meu querido busão...
Entro, me acomodo em um lugar no corredor mesmo (povo adora uma janelinha), ajeito a bolsa, a pasta de papéis e aprecio a avenida fria e sem atrativos no subúrbio. As rodas deslizam pista afora e conforme vai parando, o ônibus acolhe figuras cada vez mais bizarras, os desesperados por mar,sol e areia. Uma pequena inveja brota,mas é logo afastada, gosto de ser branquinha e não me atrevo a torrar nas areias escaldantes e na salmoura. Então as pessoas vão entrando e se ajeitando, fico observando. Logo se acotovelam e alguns veem parar ao meu lado, de pé. Uau!!!!! Um surfista sarado e sem camisa!! Mas espere aí, a prancha também? Não dava pra ter deixado lá na entrada? Aí começou meu desespero. O "instrumento de trabalho" daquele fortão recém debutante impedia-me de mexer o braço,pois estava "colada" a este. Do lado do bonitão, uma mulata de pouca idade e muita abundância se ajeitava, contorcia a cada passagem de alguém por aquele espaço. Me ofereci pra segurar sua bolsa(enorme) e a oportunista aproveitou e me atirou mais algumas tralhas. Uma senhora resmungava sei lá o que e me pediu que segurasse sua pequena caixa de isopor. Pronto. O andaime em meu colo estava montado. Não via nada a minha frente, não mexia o braço e ainda tinha que ouvir as piadas sem graça dos rapazes em relação a abundância da mulatinha. De repente, senti algo se afrouxar no meu pé e me dei conta de que alguma coisa estava errada. E estava. Uma das tiras da minha sandália havia se soltado. Justo naquele momento?
Não tinha mais nada em que pensar. Rapidamente, me enturmei com a galera da praia, fomos rindo, conversando, dei opiniões e trocamos telefones. Próximo de descer, tirei as sandálias e mandei " em homenagem a vocês, desço descalça, me esperem que logo estarei lá na areia"! Descí às gargalhadas, parecia louca,mas foi a saída que encontrei. A cena foi a pior possível. De saia, blusa branca,toda arrumadinha,perfumada e descalça. O povo lá do busão acenando,mandando beijos e a rapaziada com as mãos no coração num gesto de "amor". Lindo,né? Entrei na farmácia( que graças a Deus vendiam havaianas), comprei uma e fui trabalhar assim, "fashion",como diria minha filha. Na boa, há dias em que se não nos adaptarmos e montarmos o cavalo alado do bom humor, vai tudo pro buraco negro,seremos sugados pelo horror e teremos um dia a menos pra viver. Fiz o meu melhor, deu certo e me rendeu esta crônica. No fim, nada se subtraiu, multiplicou-se.
Ah, e a turma da praia telefonou hoje,hehehehehe. Será??

Beijos,
Dona Cris.

sábado, 15 de agosto de 2009

ALÉM DE TUDO HÁ VOCÊ - PARTE II

Durmo com duas estrelas,
acordo com dois sóis.
Mas além de tudo há você!
Há o enigma da minha história,
o salto da cachoeira,
a vida de dentro pra fora
o sonho de fora pra longe.
Posso ver a janela fechada, trancada,
cortina amassada e sem vida.
Conto as horas passadas, fuga de um para tres.
Mas além de tudo há você.
Ainda percebo o perfume, a roupa lavada,
o coração repetindo o mantra da felicidade e vida.
Se há vida de verdade, há também a espera e a saudade.
Existe o "sim" pra um novo encontro,
um "não" pra deixar partir a vontade,
um "talvez" para ser perdoado
e além de tudo há você!
Asas quebradas e dispostas ao vento,
vã tentativa de enlaçar o tempo,
ferida aberta e dor latente
pelo frio e noite que meu corpo já sente.
Além de tudo há você.
Qual barco que se desenlaça e parte;
Casa abandonada que se desfaz;
qual pergunta que não se responde,
assim vou ficando pra trás.
Há esta madrugada, este pudor que tenho de mim.
Há o sono aguado que chega, implora.
A luz que por si se apaga.
O pensamento desconectado e veloz,
há tudo isso e a minha pseudo paz.
E nela jamais haverá você!!

Dona Cris.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CARTA PRA VOCE - PARTE III

Hoje estou suave. De verdade; e você logo verá porque.
Não me atire pedras senão fico lhe devendo mais esta e além disso, o castelo já está pronto. Eu falei pra você não se apaixonar. Eu expliquei o tempo todo que só me bastava a presença e o cotidiano intercalado pelas emoções. Incansavelmente lhe pedi pra não se opor a mim, não tentar manipular o teatro e tampouco dizer sempre a verdade. Incoerente eu não sou mais, já fui,você sabe.
Agradeço as rosas, mas realmente as prefiro no jardim que foi meu. Tudo bem, este assunto já tratamos. Posso continuar suave? Então vamos relembrar o que me falta arquivar em definitivo. Esqueça aquela carta de amor, jogue fora, queime se puder. Fui infantil, eu sei, mas há momentos em que nada podemos fazer senão escrever cartas de amor. Você concordará também que as suas eram muito mais melosas e algumas sem sentido até. Aventurar-se pela literatura e poesia não são exatamente as suas aptidões. Aliás, até hoje não as conheço. Perdão, vamos pular esta parte. O que fará com aquelas fotografias coladas na parede do quarto? Cuidado, em algumas estou tão bela que ofusquei você,fala sério!! Melhor tirá-las de la, seu novo par pode não gostar. É, estou muito suave, que bom!! Ontem eu ví você. Verdade, na loja de departamentos. Eu era aquela que passou a seu lado com a frigideira na cara. Foi o que pensei de mais rápido pra me esconder. Não reconheceu as minhas mãos? Ah,sim, cortei as unhas. Eu sei, eu sei, estou ficando diferente. Mas é que cada coisa em mim que me lembre você está sendo mudada naturalmente. E eu nem sei o motivo. Você sabe? Não conte pra ninguém então, guarde segredo. Acho que faço parte daquele grupo de mulheres que não suportam nada que lembre tristeza e sofrimento. O que isso tem a ver com as unhas? Ué, não tem, simples assim. Não recomece, estou suave,já falei. Voltando a fita, sua mãe me telefonou. É, ela mesma. Sinto muito, mas pedi que não ligasse mais. Não possuo os dotes profissionais de que ela precisa. Além do mais, depois que me recuperei não suporto ouvir falar em doença. E de psicóloga não tenho nem o dom. Vamos combinar, precisamos cortar logo os cordões que nos ligam. Você segue seu caminho, apaixonado ou não, decida-se, a vida é sua. Eu sigo o meu, de avião que é mais rápido e dói menos a minha coluna. Esquece a casa, é tapera esquecida pra mim e o que podia fazer por nós, ela já fez. Cumpriu seu papel de abrigar muitos momentos de paixão e emoções em cascatas. Já ouviu muitas palavras doces (minhas, claro) e promessas de inverno aquecido sob edredons e corpos nus. Aquelas paredes guardam nossos segredos mais íntimos, por isso, pinte-as urgente. Não quero foto alguma, virei a página. As vezes me dizem que não, que estou me enganando. Só se eu acreditasse em gnomos. Ou fadas. Não, muito pouco provável.
Quanta suavidade, não concorda?
Fechei as malas, vou indo. A propósito, comprei a frigideira e levo-a comigo. Não sei, pode ser que a gente se esbarre pelo aeroporto, ela me será muito útil.

Abraço.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OFUSCA

Não é que desejasse o que os outros tinham.
Tão somente queria ter o seu fusca.
Mas o "civic" da vizinha ofusca o seu sonho de um fusca.
Buscasse a realidade e alí não caberia a intenção.
A realidade da outra ofusca a sua pretenção.
Sem texto ou COMtexto,
ficaria tudo mesmo embaçado.
Melhor anunciar em letras cabíveis em algum jornaleiro.
O fusca ainda levaria tempo por vir,
de bom sonhos o céu está cheio.
De boa esnobada o inferno se povoa.
Ofusca saber da outra a perfeição.
Comer maçã esperando melão.
Entender de contas e receber
mas somente contar o que irá sair.
Só queria mesmo, de fato, um fusca.
Parece-lhe menor visto assim de soslaio,
rapidinho pra não ofuscar a vontade.
O sonho diz "daqui não saio",
a realidade responde " espera na vida, a metade"!

Cris.

VISÃO DE MIM.

Eu só posso dizer de mim o que sei. O que mais nada poderia dizer, sendo assim as pessoas sempre preferem o que veem. O que está visível não é a realidade. Mas cada um faz a visão que quer fazer e trata desta forma de espalhar-me de maneira surreal. Azar delas. Sorte minha!

Dona Cris.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

CONJUGA AÇÃO

Eu quero ir,
tu queres ir,
as crianças não nos deixam ir.
Eu estou sozinha,
tu estás sozinho,
nós estamos distantes um do outro.

CRIS.

CRISE DE MULHERZINHA

Só pra deixar claro: Não sou contra a mulher que trabalhe fora de casa, nem a que se dedique ao lar somente. Enfim, em ambos me incluo e não deixo dúvidas quanto aos problemas que existem entre um e outro caso. O fato é que venho mudando de fase muito rapidamente nos últimos tres anos e sinto na pele o que cada uma delas representa. Depois de casada não trabalhei mais. Fora. Porque dentro jamais parei. E constatei o quanto os homens são egoístas quando meu ex-marido perguntou outro dia (quase que recebendo um jarro de água de volta) "por que você não trabalha em casa? Sai deste emprego?" Só podia ser um descuido de amor pela própria vida, senão,vejamos. E o que eu fiz durante os vinte e dois anos em casa? Não era trabalho, lógico, foi e sempre será escravidão. Absoluta. O problema surge quando não temos zeros pra direita suficientes no contra-cheque, a fim de pagarmos uma ajudante. E acumulamos tarefas. E somos sobrecarregadas. E sofremos. O que me fez questionar foi a percepção de que não havia mais tempo pra me cuidar, pra me divertir. O que sobra é desumanamente aplicado nas tarefas domésticas, no cuidado com os cachorros e lazer com as filhas. Lazer? Pra elas, pois não encontro um modo de fazermos algo agradável a ambas. Eu sobro sempre. Somos tres cabeças diferentes, gostos diferentes e um só tempo. "No zerinho ou um" me dou mal e nem chorar adianta. E ainda fico doente bem no dia em que a escolha é minha. Lei de Murph? Eu passei a me perguntar por que encontro sempre seis copos pra lavar quando havia apenas tres para uso geral em cima da pia; por que motivo eu sempre chego primeiro e estabelecemos que "quem chega primeiro lava a louça do dia"; por que todos estão irremediavelmente atrasados e eu não; e finalmente por que eu sou a única que não "curto" o resfriado sobre uma cama quentinha e tenho sopa a minha disposição. Lembro que antes de trabalhar "fora" eu não adoecia com frequencia e meu estresse estava sob controle. Me deu muita saudade deste tempo e apesar de gostar muito do dinheirinho que entra todo mes, no fundo tenho que admitir que era mais feliz sem precisar dele. É a necessidade. A mesma que agora me faz procurar outro emprego e ganhar mais um pouco pra "bancar" uma ajudante. Quando falo isto, um amigo muito querido me lembra que "somos neo-pobres e ajudante para esta nova classe social é algo quase impossível". Mas existe o "quase",. Sonhar não custa e se custar eu finacio! Deusolivre parar de sonhar!! Onde eu guardaria aquele carro bacana de quatro portas, aquela viagenzinha pra europa ou até mesmo aquela ajudantezinha fiel e eficiente? Em meus sonhos,claro. E aquele salário de muitos zeros pra direita? E aquele namorado assim...um tanto quanto...Ah,tudo bem, sonhei alto! E fiquei repensando a tal emancipação da mulher. O que lucramos afinal? Direitos iguais? Silicones? Ter que dividir a conta? Feminismos a parte, sinto falta dos tempos de cavalheirismos e poesia. Porque ninguém me convence que existe poesia em trabalhar o dia todo fora e ainda continuar assim quando entramos em casa; não vejo graça em ter calos nos pés pelos sapatos e sandálias (eu já tentei,mas tudo me causa dano),não poder ir ao salão sem ter que correr e burlar horários, não tirar aquela sonequinha depois do almoço ou beijar deliciosamente a filhinha quando ela chega da escola (porque estou no expediente ). Ainda por cima "morrer" de medo de ser demitida porque faltei pra levar a filha ao médico ou porque eu mesma adoeci. Chego a conclusão de que o mundo masculino é bem mais feliz nestes casos. Tudo bem, algumas colegas dizem que vencem tudo isso quando vão ao shoping e pagam elas mesmas as suas compras. Justíssimo. Pra elas. Pra mim não sobra. Mas resta o consolo de que um dia eu também chegarei lá. Pelo menos eu estou tentando. Desistir não. Investir é a palavra que melhor se encaixa agora. Mas não posso negar o fato de que também gosto de ser "mulherzinha". De vez em quando. E só. E não para qualquer um. Porque "mariazinha" já não sou faz tempo. Maria. Cristiane Maria,melhor escrevendo. Cris. Para os íntimos. E só!

Beijos de uma fênix.
CRIS.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

FILHOS - PARTE I

É o velho clichê de sempre. Por melhor que sejamos, mais virtudes reunimos, livros que tenhamos lido, nada importa. Filhos são e sempre serão uma surpresa após a outra. Perdoem, mas hoje não consigo imaginar outro assunto. Quem os tem, quem já os viu criar asas ou quem analisa agora as possibilidades de procriar, convém não pensar muito senão desiste. O roteiro não muda, alguns podem até burlar a página, dar voltas, apostar na outra tentativa mas cairá sem rodeios nos mesmos personagens, erros, acertos e dúvidas. Porque seria mais fácil virem com manual de instrução e resenhados claro, pois não temos mais tempo disponível para uma enciclopédia. Eu sinceramente não me lembro de meus pais buscando análises técnicas para lidarem com meus irmãos. Se não me incluo aí? Não lembro também. Nestas horas prefiro ausentar a memória. Vai dando tudo certinho na medida em que se tem as respostas num caso aqui, um mais velho ali, uma entrevista acolá. E a sensatez, esta é fundamental. Questões existem as mais complexas e a partir de conjeturas firmemente protestadas cria-se o próprio mandamento. Quando nascem, nosso seio é suficiente, quer nos parecer tudo tranquilo a nossa volta ou pelo menos assim senti; mas a coisa toda cresce e muda na mesma proporção dos rebentos e a gente começa a ter la no fundo o desejo que se tornassem autotróficos (mandei bem,fala sério!). É uma agonia interminável a elaboração de um cardápio e suas substituições, hora certa e choro desesperado de fome quase sobrenaturais. Mas é uma fase. Passa. A sua passou? Nem a minha. Certa vez um pediatra-psicoterapeuta-infantil-chefe-de-setor-sei-la-de-onde me assegurou ser necessário vitaminas farmacológicas extras,já que eu não tinha um pomar no quintal e ninguém me garantia que as frutas da feira foram colhidas momentos antes de estarem ali expostas. Entendí. Fiquei meio frustrada achando que não tinha nenhuma formação técnica para cuidar das crianças. Senti que me faltava muita informação, que não saberia conduzir as coisas. E acabei esquecendo que esta não seria a primeira vez a passar por tudo isso. Foi com grande alegria e satisfação que parei de me atormentar quando a minha primeira filha veio me dizer "mãe, deu certo comigo,você foi maravilhosa, eu sobreviví, ela também vai sobreviver". Ah!! Mas que ótimas palavras. "Eu sobreviví"!! Sobreviveu a mim!!! Legal,pensei, se algum ser é capaz de sobreviver a mim, então tá tudo certo. Sinal de que eu SEI CONDUZIR AS COISAS! Alentador...
O fato é que a gente sabe e duvida porque quer. Há uma verdade que nenhum médico sabe explicar mas que também não tem o direito de duvidar: Somos mulheres, agimos com a razão, porém em se tratando de filhos o instinto e a sabedoria que nos é nata se sobrepõe. Basta-nos a intuição materna, o resto se ajeita. Nem que esta intuição venha nos levar a buscar ajuda seja la onde for.
Esta semana a questão da sexualidade "brotou" aqui em casa. A pequena de onze anos me pegou de surpresa. Liguei pra amiga psicóloga, busquei leituras a respeito, perdi o sono,chorei. Mas novamente foi a mais velha quem me salvou ao dizer "mãe, comigo você foi nota dez, eu entendí tudo, as explicações foram claras e suficientes, você soube conduzir e sou uma adulta feliz; repita com ela, vai dar certo".
Mais um cascudo destes e volto pro jardim de infância!!!!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

SEM SENTIDO

Nem toda ausência é sentida. Depende do sentido que damos a ausência de alguém. Há ausências esquecidas antes mesmo de existirem. Mas se não existem, não podem ser sentidas. Há ausência insuperável. É nesta que eu existo agora. É por esta que eu sinto tanto neste momento!

Anjo (iluminando o caminho pra outro Anjo passar!)

sábado, 27 de junho de 2009

Michael Jackson

Antigamente, os ídolos morriam mais tarde. Ou sequer morriam. Havia o mistério permanente e muito o que guardar; isso lhes dava uma vida extra. Do meu tempo de menina para cá, tudo mudou. Não sei se tive ídolos ou se os tenho; definir "ídolo" é bem complicado pra alguém feito eu, inconstante e eclética em todos os sentidos. Não sou exata, não me prendo a rótulos, mas estudo atentamente aqueles que de alguma forma me fazem sentir alguma coisa fora do normal. E o que é normal pra mim pode não ser pra outros. Fechei o círculo!
O que julgam não tem fundamento. Morrer em idade alguma deveria ser "parte da vida"; faz mal ficar sem ver a pessoa que nos fazia feliz pelo que oferecia e representava.; apaga as luzes de um sonho embalado desde a adolescência e interrompido de maneira estúpida assim. Especula-se de todos os lados e deixa-se de falar o mais simples de tudo e indubitável: Faltou-lhe um amor, uma vida real e concomitante a sua. Não duvido disso em tempo algum. Alguém que sentisse e fizesse sentir o maior dos sentimentos, dividisse as horas, os méritos, as dúvidas, o prazer e o fizesse saber da existência de sua força somada e abundante para superar e "digerir" o que vinha com o sucesso. Porque ninguém duvide que aquela vida, aquele ser humano era totalmente comprometido com uma infância injustamente subjulgada, desperdiçada, aniquilada em nome da fama, da ânsia de poder e dos objetivos ambiciosos de um adulto insano. A criança parte embalada por algum adulto, segue direcionada, não sabe o que acontece na maioria das vezes. É atirada ao mundo adulto precocemente e quando se da conta do que lhe falta e é tão natural, já não há tempo pra retornar. Quando o talento é desenvolvido e vem a tona em meio a uma estrutura familiar saudável, é muito melhor sucedida e poucos transtornos alcançam a criança. Do contrário acaba assim de modo grosseiro a prejudicar uma vida inteira. A "máquina" é rápida, absorve muito e exige cada vez mais. O mercado muda num piscar de olhos e a fama vem na velocidade da luz.. Uma avalanche de acontecimentos soma-se a um enfraquecimento se não há respaldo, amparo verdadeiro e Deus cima de tudo. Não me importo com o que de fato aconteceu. A morte, que não me parece tão súbita assim, resolveu por si o final de uma história pautada em sucesso e solidão. Tantas coisas que teriam solução simples e promissora acabaram se transformando em acúmulo de problemas em constância ininterrupta.
Acompanhei a trajetória deste moço, tenho boas e gratas lembranças do tempo em que embalava minhas noites de "discoteca" e namoros furtivos na varanda. Sempre tinha uma música pra dançar sozinha no quarto ou chorar a ausência de alguém. Agora eu choro com a mesma saudade e ouvindo a mesma canção "Ben" que eu eternizei em meu coração. Não critiquem, não julguem sem conhecer toda a história, que aliás, jamais o saberão; ainda que se faça uma biografia, existam pessoas que contem fatos, jamais se saberá tudo da forma correta e verdadeira. Isto somente a pessoa o sabe, a cada um pertence a própria verdade e ninguém explicita tudo de maneira sincera o tempo todo. Muitas vezes, somos levados mesmo a ocultar para não expor ou machucar outras pessoas. Assim quero crer e prefiro amar o ser humano pelo que me acrescenta, não pelo que faz ou deveria fazer. Ao mundo cada vez mais exigente daqueles que fazem e acontecem apenas ensurdeço diante de calúnias e prepotências e troco agora o "Ben" por Michael. Simples assim. A frase que eu criei e que mais gosto de repetir é a mesma que engrandece meu perfil: Enxergo pessoas, não problemas. Saudade, saudade, saudade!!!

O abraço com asas de um Anjo para todos!

terça-feira, 16 de junho de 2009

MELHOR LUGAR DO MUNDO

Há sempre um lugar favorito onde gostaríamos de estar e o classificamos como "melhor lugar do mundo". Sobre isto leio alguns textos desde semana passada. Não vou ser repetitiva e enumerar alguns que, com certeza, a maioria irá concordar. Já falaram todos. Ou quase. E tem opções aí que fechariam a lista com perfeição. E por mais densos que possam parecer, existe o que mais nos conforta e cabe. Eu pensei muito, enumerei os meus cantinhos preferidos e concluí que em apenas um me sinto verdadeiramente completa: Num coração! Isso mesmo, no coração de alguém. Porque senão, vejamos: Qual lugar seria mais romântico, acolhedor, sincero, imaculado e incondicional? No coração, acredito eu.
Tente chegar aí sem ser convidado ou sem emoção. Não dá, não há trilhas nem mapa. É espontâneo, simples e encantador. Você não exige, não precisa de mais nada, ele tudo provê e satisfaz. Estar num coração que lhe difere de todas as outras pessoas é infinitamente melhor que no mais belo dos lugares na terra. É seguro, chova ou faça sol. Quem tem a honra de estar no íntimo de outra pessoa, desbanca o Olimpo e seus deuses. Tem um jardim e colhe flores; é acalentado e auxiliado em seus momentos de dor e aflição; não conhece a solidão ainda que esteja só. Habitar tão nobre endereço é fazer parte de um mundo onde as tempestades não o alcançam, sempre haverá sol iluminando o caminho.
Ainda que concorde com São Francisco , "melhor amar que ser amado", coloco no topo de minha lista o coração de alguém como melhor dos lugares. Posso oferecer o meu também, mas se for pra viver que seja num coração que me abrigue.

Beijos,
Chris.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

CARTA PRA VOCÊ - II

Oi, voltei.

Guardei sem querer algumas palavras e antes que atire às mágoas, fiz por bem deixá-las aqui. A raiva passou, claro, sou um ser humano que não consegue seguir adiante guardando supérfluos desta natureza. No entanto, reserve-se cautela!
Vim buscar o vazinho de violetas que esquecí na varanda, foi o último presente do meu jardineiro antes de partir, portanto, justo é que não o deixe a própria sorte.
Percebo-lhe certo abatimento...bem o falaram. Olha, isso passa, ainda tem por aí muitos que acreditam em você, lhe entregam a sorte e confiam a vida. Trabalho não lhe faltará, muito menos companhia. Notei que consertou as portas e limpou as vidraças. Bom pra você.
Queria apenas dizer que não quero mais a saudade que me deu no último dia dos namorados; também não posso guardar os beijos ardentes daquela paixão; os desencontros não são mais confortáveis e as lágrimas pode devolver ao pote de cristal na sua estante. Trouxe a solidão que você fez questão de me deixar durante aquele inverno,lembra? Ela não cabe mais em mim, o espaço foi totalmente preenchido pela auto-estima. A tristeza que estendeu no tapete foi aniquilada por um novo sentimento repleto de amor e afeto, veja você, nem é tão imponente assim mas coube em mim e me fez iluminar. Sou só alegria agora. Também não posso mais acariciar-lhe a vaidade pois meu ego não acha mais graça nisso.
De tudo fica o que concebemos juntos e que não terá mais fim: A verdade. Fique com a sua, recoloco a minha em meu carinhoso coração. Talvez haja tempo para nos encontrarmos um dia. Alguém aqui falou que você sempre encontrará um jeito de me ver, de se fazer sentir. Duvido, sou teimosa e esta era a única qualidade em mim que você apreciava. Contudo, vou deixar um rastro permanente de felicidade. Se não lhe incomodar, pode seguir. Não conte que o abrigarei novamente, posso apenas não ser arrogante em sua presença. Melhor mesmo não pautar desafios...vai que você os aceite...

Chris.

sábado, 6 de junho de 2009

SABEDORIA

Algumas pessoas podem saber muito.
Muitas pessoas devem saber pouco.
Algumas pessoas pensam saber tudo.
Muitas pessoas sabem sem nunca ter aprendido.
Geralmente, todas elas querem aprender.
Mas duvido que todas as pessoas saibam tudo.
O muito que se sabe, o pouco que se acredita saber.
O pouco que se aprendeu pra confundir com o que já sabia.
Pessoas ensinam mas não aprendem.
Sabem o que dizer, mas não dizem o que aprender.
Se toda pessoa nasce sem saber,
que sabedoria vive em quem ainda não aprendeu a aprender?
Pessoas que corrigem ao saber os erros,
são as que mais erram pra saber.
Pessoas sabem que erram. Corrigem depois de aprender.
Mas há as que sabem, não erram mas jamais aprendem.
Corrigem o que pouco sabem,
muito escrevem,
erram
e não aceitam reaprender.
Algumas pessoas sabem entender.
Poucas pessoas entendem.
Todo aquele que confia em seu conhecimento é traído pela memória.
E não existe conhecimento capaz de abraçar toda sabedoria.
Tolos os que creem em todo seu saber.
Felizes os que apenas escrevem, erram mas passam imensa sabedoria.
É preciso saber ler, com os olhos ou com as mãos,
mas ouvir sempre com o coração.
Emoção pra ser explicitada, assimilada, requer tão somente outra emoção, pouca sabedoria e muita compreensão!

Beijos,
Chris.

VOO FRANCÊS

Há rumores de vida no ar!
Não que antes não houvesse, mas é que agora com olhos e ouvidos desavisados, a pele o sente.
Falo de vida que sobrevive. E de vida que não se localizará jamais.
Do muito que se fala e de imagens que não chegam, ouve-se apenas o choro e lamento de quem os perdeu. E de quem os procura em vão. De certo que em tragédias assim, muito se faz saber em pouco que se sabe realmente. Buscar culpados, falhas mecânicas ou humanas, não é mais coerente. Tudo que se deseja é o tato, o sentir de fato, o corpo.
Caiu, explodiu, afundou ou desintegrou-se. A certeza é de que não voltaram os que partiram e não chegaram os que prometeram. Há muito o que se falar, coisas pra desistir, palavras e gestos, ausências pra conferir, cheiros pra lembrar, fotos pra guardar ou espalhar, sorrisos pra alimentar e muitas lágrimas pra secar!! Quem deveria ter ou ser perdoado, responder ou perguntar, abraçar, amar, desvendar ou ocultar, esclarecer, conhecer, aprovar, desistir, enfim, o que quer que os levasse àquele encontro coletivo, dissipou-se. Não haverá resposta. É como um livro onde há o começo, o desenrolar dos fatos mas apenas uma interrogação na última página. Personagens perdem-se misteriosamente, nenhum indício de fim. Sei que muitas outras passagens trágicas acontecem diariamente por terra, mas muito raramente ficam sem respostas ou final. Sempre existirá alguma probabilidade, alguma razão. No caso aéreo não. Ainda que sobressaiam respostas, nenhuma jamais será convincente ou real suficiente pra nos fazer acreditar de novo. O medo prevalecerá, a paz fica comprometida e todos passam longo período povoados de dúvidas e reticências. Sinto imensa comoção, sem me importar com o grau de importância social de quem ali estava pois a vida em si ou a morte, não fazem diferencial neste momento. Nascer ou morrer é tão somente parte de uma escala evolutiva e o que entremeia isto é apenas consequência de um ou outro, necessidade pré estabelecida, permitida ou requisitada. Sinto um vazio enquanto ser humano e meus olhos doam suavemente lágrimas solidárias a todas as pessoas afetadas por mais este triste episódio.
Há rumores de vida no ar!!
Deus permita que sempre haja!!

Beijos,
Chris.

sábado, 30 de maio de 2009

CARTA PRA VOCÊ

Meu caro destino,

não fique aborrecido se me refiro à você em tão grande intimidade. Mas também, o que esperava depois de todo aquele tempo fazendo-me esperar e acreditar em coisas do amor e de experimentos com meu coração? Portanto, esteja em paz, sente-se e leia o que agora lhe confio. Não faça trejeitos, alguém pode perceber-lhe a confusão e ceticismo. Contenha-se, sou corajosa, decidida e logo entenderá o motivo desta carta.
Venho pensando em nós dois. É claro que sempre pensei. Você, distraído, menino levado ocupado de suas travessuras aos outros, nem me percebeu a tristeza. Confiei-lhe minha vida, meu amor e minha alegria. Você me traiu, levou a fantasia e acha tudo muito divertido. Lhe afianço que não é. Quem perdeu, quem esperou e não viu cumprir fui eu. Foram as minhas rosas que se perderam no chão do jardim e foi meu o jardineiro que você afastou. O canteiro faleceu, não resistiu e você, alheio a tudo, apenas sorriu e afagou-me o ego distante com mais esta prova de vencedor cruel. O que esperava de uma lôba aflita, perdida entre seus devaneios e se fazendo renascer de cinzas remanescentes? Viu o que você fez? Não me venha com meias verdades, vá lançar suas dúvidas alhures, bem distante.
Olvidou minhas súplicas de saudades e nem tentou entender o meu coração. Assim fez, assim sentí. Esteja certo de que nada mais me proporciona tanto prazer em vida do que ver-lhe o semblante preocupado com a minha atitude. Vá saindo de minha estrada, sente-se noutro caminho. Vou passar sem você e sua falsa atitude. Não choro mais nem mesmo se você suplicar. Saí a tempo de ver a porta se fechar sem nunca mais se abrir. Agora, é casa abandonada, mato crescente e de volta às minhas verdades e sonhos. Melhor deixar como está. Exatidão num momento em que tudo que possuo é a mim mesma, inexiste. Quando sair, for embora, leve a música que fiz pra você. Não sou egoísta e o pouco que tenho, me basta. Desconstrua o caminho, este aqui não lhe pertence mais.

Sem mais,
Chris.

ALÉM DE TUDO, HÁ VOCÊ

Percebo a noite,
a calma do meu quarto e vida.
Sinto saudade, reflito.
Além de tudo, há você!
Encolhida na minha cama,
sinto as primeiras lágrimas de saudade.
O travesseiro, a coberta fria,
mas além de tudo, há você!
Você que não passa,
que não seguiu, enredou-se em mim.
Me esquece agora aflita e aninhada,
escolhe me dar o que eu nem queria mais.
Há o sonho não consumado,
a vela apagada, o corpo exumado.
Há os barcos que não voltaram,
as amantes que não cansaram.
E além de tudo, há você!
Das cores não há mais viva,
que o vermelho da sua falta.
Passo em branco o meu olhar solitário,
perdido em buscas desesperadas.
Rezo frases desencontradas,
protejo seu nome em oração.
De mim não mais saberá,
nem das razões, dos males que calculava.
Há a vontade de esquecer,
as portas que vão se fechar.
Há os tolos projetos ao mar.
Porque além de tudo, não haverá mais você!

Beijo,
Chris.

O ERRO

Quando você, eu ou qualquer outra pessoa comete um erro, o que lhe vem logo em seguida? A sensação de vazio, de impotência, de arrependimento? Ou ficamos todos nós a esperar que o tempo passe e carregue este peso feroz? Isso para os conscientes. Para os que se movem, alardeam. Para os demais somente alguns instantes de devaneios. E só. E aí ninguém é altruísta neste episódio.
Imagino o sofrimento dos que cometem alguma falha, enganam-se em determinado momento e veem de repente, toda a sua vida envolta em nuvem negra. Porque não se perdoa os erros, mas muitas vezes se dissipa o culpado no mundo da indiferença e da vulnerabilidade. Vejo os que aí se encontram com olhar piedoso, algo impessoal e fenotípico.
O erro induz a crenças, todavia muitas são falsas e mesmo causando estragos há quem enxergue frutos bons. A forma como erramos, nada tem a ver com o que somos, mas com o que buscamos ser e aparentar. Aprender é ato de coragem e muitos são os caminhos que levam a isso. Errar é um deles. Quer me fazer crer que nem todos aprendam errando,mas todos erram aprendendo. A vida nem sempre oferece a "borracha", o "apagador", entretanto ladeia aquele que erra, de possibilidades. Alguma delas poderá fazer as honras do esquecimento. Saber qual, é outro caminho a aprender e trilhar. Só não acerta quem não nasceu e não erra quem não vive. De todo erro sobra ilusão e aprendizado. Saber ver isto e deduzir o reparo é fator indispensável ao crescimento pessoal. Lamentar e esquecer não será jamais suficiente, quanto numa sociedade tão carente de verdades e de princípios verdadeiramente valiosos. Errar, assim como acertar, são dois méritos diferentes que desencadeiam os mais diversos fatos e reações. Porém, a diferença entre eles é que errando, o indivíduo é atirado ao poço, enquanto que o outro é elevado ao pedestal.
De um jeito ou de outro, ambos estão em evidência e só não auxilia quem jamais errou.
Aliás, quem estiver figurando na última frase, que atire a primeira pedra. Quem já experimentou o amargo do saber ter errado, sente-se aqui, podemos conversar. Porque hoje eu errei. Em se plantando tudo dá, se perdoando tudo se ouvirá.

Beijo,
Chris.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CONFUSÃO CANINA


Eu tenho duas filhas.
E dois cachorros.
As filhas por vezes se estranham, mas são sempre amigas.
Os cachorros...bem, com eles nem sempre funciona assim.
O mais velho pertence a primeira filha. O mais novo, a filha caçula.
Permití que "Marley" ( nome sugestivo,não? ) viesse porque foi presente de minha irmã e minha caçula havia se encantado com ele quando visitamos a família. Não tinha a exata dimensão do que viria pela frente. Achei que a interação canina fosse fácil ou pelo menos normal. Para mim bastava que cada um tivesse sua caminha, sua vasilha de comida e água, suas donas e seu focinho. Não foi bem assim. Quando o yorkinho Marley chegou,o "yorkão" Luke Skywalker ( afffffffffff ) já estava conosco há quatro anos. Apesar de dócil, tranquilo e não latir muito, Marley revelou-se um sonso. Logo tomou posse,literalmente, de tudo que pertencia ao Luke. O local de dormir, os brinquedos, a vasilha azul e o carinho das meninas. Difícil. E aí começou a saga. Por ser mais velho e entender a posição do filhote, Luke não reagia a mordidinhas, rosnados e dentes à mostra por parte do pequeno. Mas não por muito tempo. Passou a demosntrar claramente que estava de "saco cheio" daquele moleque intrometido e passou a revidar. Marley tem sua caminha e Luke, o que chamo de "poleiro"; é uma tábua suspensa a poucos centímetros do chão e forrada com colchão próprio pra cachorros. Isso evitava que ele fizesse xixi onde dormia e facilitava a higiene do local. Marley passou a dormir aí, desprezando a caminha-berço. A disputa foi acirrada. Quando um descia por motivo qualquer, o outro subia e se aninhava. Um sempre ficava no chão. A solução foi fazer um poleiro maior e comprar colchão novo também. Um a zero pra nós. Marley passou a fazer xixi ( bem feito ) no quarto do "ditador" com quem moro e eu até acharia engraçado não fosse ter que enxugar e acalmar a situação. Mais tarde passei a exigir da caçula a realização desta tarefa. Fechamos a porta do quarto. Aí, passou a mexer em tudo no banheiro e tentar se afogar no vaso sanitário. Fechamos a porta do banheiro. Brigavam constantemente e Luke desenvolveu uma agressividade que jamais tivera. Esta semana acabei com a peleja. Consultei uma comunidade orkutiana de veterinários e adestradores. Responderam-me que muito provavelmente os dois cachorros se consideravam "acima" de mim hierarquicamente e por isso não obedeciam. Ah, é assim? Veremos. Lembrei-me de quando o Luke veio pra nós ainda bebezinho; recusava-se a aprender o local certo pra fazer o pipi e popô. Peguei-o, fitei seu olhar e disse: "Hoje é sábado, você tem uma semana pra aprender, do contrário volta de onde veio". Nem chegou a tanto. Na sexta-feira já acertava o local direitinho. Repetí com os dois agora. Coloquei-os sobre o balcão da área de serviço ( eles temem altura,hehehehe ), fitei-os e disse: " Vocês teem uma semana pra se adaptarem, do contrário, castro os dois". Dois a zero. Dividem a caminha na boa e apesar de reclamarem, brincam com as meninas e se toleram. Luke agora ensina coisas pro Marley,como subir e descer escadas, esconder chinelos ou esperar a caçula na volta da escola. As vezes os pego conspirando e confesso certo temor nestas horas. Só não acertaram ainda quem come na vasilha verde e quem fica com a azul. Não faz mal, a ração é a mesma e talvez sejm daltônicos, vai saber. A única certeza é que agora aprenderam quem manda aqui...quase sempre.

Beijos,

Chris.

Dois Anjos.

O passado próximo lhe cobrava alguma coisa. Deixara o noivo que durante anos fora seu único pretexto de felicidade para encontrar nos braços e no coração de outro, a verdadeira alegria de viver. Causara revolta naquele que fora abandonado,preterido e imensa felicidade em seu novo par. Padecera pelos ciúmes e fúria do outro,mas resistira ao lado daquele que julgava ser o grande e verdadeiro amor. Venceram. Ou pelo menos, assim se sentiram. E naquele que lhe pareceu o auge de todas as melhores coisas e momentos de sua vida, uma chuva forte, um freio quebrado e um acidente tiraram-lhe a certeza absoluta que tinha da existência de Deus em seu coração. Sabia que amava e sentia-se amada igualmente. Não, definitivamente, Deus não poderia existir. Inconcebia consentimento para tamanha dor. Tampouco acreditava em "castigo".
Aceitar o inusitado convite de uma amiga para que repousasse em sua casa nas montanhas tinha sido muito difícil. Teria até recusado, não fosse a ausência de forças, totalmente esgotada pelo desencadear das últimas semanas. Perder o homem amado, transpor todo aquele ritual, ouvir palavras enfáticas, desejos contidos, olhares afetados, tudo havia composto sua dor e levado sua resistência. Deixara-se levar. Poderia ser bom, a amiga afável não merecia uma recusa. E lá estava ela.
Sentada, joelhos dobrados, braços entrelaçados, olhar molhado e perdido no vasto penhasco alí, logo à frente, cobrindo-lhe a distância. O que fazer? Onde mora o recomeço? Perguntas chegavam-lhe na companhia do anoitecer. Era preciso voltar. Já abusara do convite da amiga e desde então, passaram-se algumas semanas.
Na manhã seguinte, recebera a visita do noivo ferido, ainda ressentido,porém agora solidário:
_ Vim buscar você! Vamos voltar, eu a ajudarei, sem palavras,
prometo me calar e esperar pacientemente.
_ Eu já saí de sua vida.
_ Mas não do meu coração.
Enfraquecida pelos dias sem dormir ou se alimentar de maneira apropriada, deixou-se abraçar, mas desvencilhou-se e pediu que ele fosse embora. Prometeu pensar, retornar em breve e juntos então conversariam depois. Ficou observando, recostada à porta, que ele se afastasse, viu quando o carro desapareceu. Enxugou as lágrimas que l a presença do noivo lhe causara, lembrou-se do difícil diálogo quando o rejeitou e enfim, a lembrança do amado que se fora deste mundo de modo violento e repentino. Ao final da tarde, caminhou até o penhasco de onde gostava de observar o pôr-do-sol inebriante, cujos raios iam-se lentamente adormecendo e vestindo todo o vale de cores azuladas fortes e lilás. Cruzou os braços e ajustou o agasalho na tentativa de conter o frio que sentia. Um rápido vento passou-lhe pelo rosto, fez esvoçar-lhe os cabelos lisos e longos e um sopro de arrepio fez tremer o corpo. Fixou olhar naquele horizonte, viu algumas penas azuladas passarem voando à sua frente e sentiu braços entrelaçarem-lhe o corpo por trás. O perfume conhecido causou-lhe torpor, fechou os olhos e se deixou levar por aquele abraço aquecedor e tranquilizante. O beijo veio seguro e confortante no pescoço, mãos viraram-lhe o corpo e pode então assegurar-se do que seu coração insistia em ver, mas teimava-lhe a certeza. Era ele! O amado que partira, estava alí, o rosto não mudara, o corpo forte e envolvente, os olhos negros como aquela noite que descia, a fitar-lhe e apertar seu corpo contra o dele sem lhe permitir fuga ou medo. Não pensava, apenas sentia e se deixava sentir. Beijou-a com a delicadeza e calor que somente os anjos o sabem. Acariciou-lhe os cabelos, fez desaparecer toda dor e lágrimas e calmamente disse-lhe aos ouvidos:
_ Não há neste mundo uma só pessoa que nos separe. Nada se interpõe entre seu coração e o meu. Porque somos uma só energia, um só caminho, uma luz intensa e um só nome: Amor! O tempo se encarregará de lhe trazer a paz, o retorno da alegria e esperança em dias melhores. Não duvide de Deus, de suas intenções ou respostas para com nossas vidas. Não desista, não pense na morte como fim. E finalmente, jamais esqueça daquilo que carrega em si e que, de agora em diante, constituirá sua melhor certeza da presença de uma força maior a nos unir. Estarei com você por toda sua vida e chegará o momento de nosso reencontro. O universo nos rege e nos supera na existência, mas conspira a nosso bem e amor eterno. Eu sempre vou amar você!
Ainda pode sentir-lhe o hálito doce num último beijo e depois, apenas o vazio. Pelo vale, penas azuladas bailavam por toda parte e ao seu redor. Apenas a noite e o frio como testemunhas. Mas entendera suas palavras. Sem mais lágrimas, sem dor ou medo do futuro. Aliás, este lhe acenava em forma de carinho ao passar delicadamente as mãos por sobre seu ventre. Entendera as palavras daquele Anjo e sabia que a acompanharia pela vida afora. Porque também compreendia que nenhum sentimento seria maior diante daquele imenso amor que os unia! E havia, lenta e cautelosa, a certeza de um outro Anjo que chegaria!

Beijos de um Anjo!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

PARALELAS

Sentada de frente pra avenida,
ví quando a chuva veio.
Sentí quando a chuva se foi.
São duas ruas,
são paralelas,
molham-se nuas.
Assim feito o meu olhar distante.
Jamais se cruzam,
são duas correntes
que vão soltas à distância.
Contrárias e molhadas
as duas musas e uma só avenida!
Ou eu e você.
No coração de menina
balança o poeta menino,
como a árvore da rua apressada.
Eu e as ruas opostas.
Como nossos dois pensamentos:
Eu sempre pensando em você.
Você em todo mundo,
menos em mim!

Beijos,
Chris.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

OS MEUS PÉS

Não posso dizer que sou modesta quando o assunto são meus pés. Isso não seria justo nem com eles mesmos. Mas resolví algumas questões depois que lí o texto de minha filha sobre elegância. E posso garantir, ninguém deveria se descuidar no quesito pisante.
O certo é que constituem nosso meio de locomoção, nem que seja pra chegar até o carro. A menos,claro, que flutuem.
Como a gravidade é inimiga de tudo que está para cima, vai ser nos pés a maior carga de peso depositada. Portanto, todo cuidado é pouco.. Toda prevenção também.
Tenho mania de cuidar dos meus. Não gasto muito com isso, sou sábia de natureza ( perdão, modéstia zero ). Tenho substituto pra tudo que é produto muito caro e a necessidade que faz o "sapo pular" também me fez buscar alternativas que coubessem em meu bolso. E valeu a pena!
Não abro mão dos meus saltos, é a única forma de esquecer momentaneamente meu pouco mais de metro e meio; até acho bacaninha as meninas usando "havaianas" quando saem por aí ou no shoping da vida, mas sinceramente, não usaria. E isso nada tem a ver com idade, já ví mulheres de todas as idades ousando. Tenho a impressão de estar em direção às areias da praia,onde sem dúvida, melhor chinelos mesmo. Já me aventurei num salto à beira mar e o resultado foi desastroso. Entretanto, morre aí a necessidade de usar chinelos.
Meus pés são educados, comportam-se bem nos saltos e raramente me torturam. Mas se o fazem, ficam assim enquanto se fizer necessária minha presença e elegância. Não tiro e nem ouço os gemidos dos dedos. Nada que compressas de gelo mais tarde não resolvam. E muito carinho, claro.
Meu pé esquerdo já moveu processo contra a prefeitura anos atrás. Quebrou-se em quatro partes diferentes ao ter que aguentar meu corpo que despencou sobre ele depois de tropeçar num dos buracos da obra de urbanização. Dor maior não conhecí. Mas recuperou-se a tempo de estar dentro de uma bota para os festejos juninos daquele ano.
Com o perdão de minha filha e dos demais que comentaram a favor, ouso dizer que elegância também é adjetivo de pés bem cuidados deliciosamente acomodados numa sandália de salto fino a desfilar sobre pedras portuguesas de um calçadão qualquer que constitua caminho obrigatório para se chegar a notório hotel!

Bjus a todos, concordem ou não.
Chris.

terça-feira, 19 de maio de 2009

JARDIM E JARDINEIRO

Eu tinha um jardim.
Rosas, somente rosas de todas as cores e perfumes,
de muitos poemas e amores,
que jamais deixei de cuidar.
Eu tinha um jardineiro.
Regava e mantinha meu olhar.
O jardineiro foi embora,
obrigou-me os olhos fechar.
Chorei a perda cruel,
sem ao menos saber o porquê.
Do nada deixou-me à mercê,
e o pobre jardim ao léu.
As rosas, abandonadas ,caem aos poucos ao chão.
A paisagem não é mais colorida.
O olhar se volta à ferida,
que o jardineiro abriu em meu coração!
Eu tinha um jardim.
Dei à ele um jardineiro, uma aliança.
O jardim perdeu-se em mim.
O jardineiro, a esperança.
Não tenho mais um jardim.
Não cultivo mais as rosas.
Mas procuro um jardineiro,
Para amar em verso e prosa!

Bjus,
Christal.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DE TARDINHA

De tardinha você tinha que estar aqui...em meu olhar!
Teria que passar ao lado e entrelaçar as mãos.
Poderia dar as flores, desde que as segurasse pra eu não espirrar muito,rs.
De tardinha, você faria acelerar o coração. O seu ou o meu?
Tanto faz.
Ah, garoto com jeito de homem maduro...de tardinha, você tinha que ser. Só isso.

Não poderia estar sozinho,
mas a companhia teria que ser o meu olhar.
Tomaria conta de você e saberia encontrá-lo em mim.
De tardinha, você me daria o pôr-de-sol mais belo do Rio.
Eu te levaria às estrelas.
Por que não?
De tardinha, só se você viesse,
junto trouxesse a sua poesia, seu limiar de sonhos.
E assim, tutor e aninhada,
abraçaria e o levava... pra passar a noitinha enluarada!

Beijos pra você ( e só você sabe quem é de fato você! )...
Chris.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ESCURO DO NADA.

Há um tempo em minha vida onde o escuro tende a ser mais constante. Os olhos não precisam estar abertos, é isso que transforma a paisagem em inspiração.
Eu acredito que algumas vezes a nossa vida passa por uma estrada branda, sem trânsito intenso e sem nenhum entusiasmo. Só não entendo bem o motivo certo.
Talvez Deus sinalize sua hora de partir,
ou seu momento-paz,
até mesmo o prenúncio de dias muito agitados e prepotentes.
Não possuo a disposição das perguntas, mas alguma coisa me diz aqui dentro que isso não é normal. Pelo menos pra mim e isso atesta quem me conhece,claro. Hiperativa de natureza, incapaz de conciliar preguiça e descaso.
Mas nestes dias, ando assim. Invadida por este sem-nada-que-me-agrade-fazer.
As palavras são arrastadas pelos dedos a deslizar no teclado sem nehuma noção de onde vão parar. Quero muito um conto, uma crônica, um apelo erótico,uma poesia. Nada. Nada de nada. E passo a ouvir Sarah Brigthman,mas nem ela me leva daqui, me atualiza na emoção. É, hoje não sairá nada mesmo, melhor me conformar.

Bjus.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

CHRIS E O DIVÃ!

Acabei de assistir o filme "Divã". Já tinha visto a peça teatral ,mas muito me surpreendí agora. Saí do cinema com a sensação de que encontrei algumas "mercedes" dentro de mim e uma boa pitada de "mônica"tbm. Algumas pessoas dizem que "identificações" com o que quer que seja é mera imaturidade e revelam indivíduos altamente sugestionáveis. Discordo.

Passei parte de minha vida sondando os meios que tinha pra me entender sem o analista; sem a remota chance de me dar conta dos cantos por onde sentei pra chorar as contas vencidas de um casamento parado, adaptado ano após ano ao que chamamos de convivência. Provavelmente não havia nada que surpreendesse porque a simplicidade de conformismo está em defesa do "felizes para sempre". E olha que nem me casei na igreja. Os rituais ficaram somente na imaginação de minha mãe e não lamento isso não,pois assim pude enxergar mais depressa o dia seguinte da cinderela.

Dos vários estágios de Mercedes e sua vida "normal", há entremeios de profunda honestidade comigo mesma. Outros não. Numa citação ao comportamento do marido, Mercedes separa a deslealdade da infidelidade. No contexto do casamento, acho improvável separar uma coisa da outra,mas enfim, na busca por si mesma e no que ficou faltando talvez tenha sido a melhor das definições naquele instante.

Dei graças à Deus por ter "pulado" alguns estágios nesta busca por mim mesma. Já usei todos os vestidos que sempre quis usar, já fui à luta por meu lugar na concorrência e busco agora uma bolsa pequena. Isso pra quando aquele "gato" sarado, "mara" e de sorriso enorme me chamar pra tal de "balada" eu não "pagar o mico" de levar um de meus bolsões. Muito menos usar aquela meia elástica de compressão pra disfarçar imperfeições de minhas pernas. Que aliás, diga-se honestamente, são lindas e vão muito bem obrigada!!!

Bjus,
Chris.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

LOUCURA

Louco deve ser adjetivo de gente feliz.
Num mundo tão perturbado, dizer-se feliz e sentir-se como tal, é loucura!!

Bjus,
Chris.

terça-feira, 31 de março de 2009



Puxa...por onde andei? Eu sei, eu só não posso revelar. Ia doer em alguns, arder em outros e causar temor em muitos. Melhor calar-me então. E fazer de conta que nem andei...voei!!
Mas se navegar é preciso, voar é inegável prazer. E eu costumo ver as estrelas bem de perto; assim, costumo pausar o sono em asas férteis e vorazes que não sabem voltar sem o sonho.
É a minha maneira de dizer ao mundo que eu sou a existência da luz e da alegria, da tranquilidade e da paz aquecida ao fogo das paixões e do caminho descoberto. Porque há antagonismos no sentir e no olhar, pois o corpo estremece ao toque,mas os olhos não lamentam a perda. Lapidam os diamantes da evolução do sentimento e passeiam no crepúsculo do que terminou.
Não há volta.
Não há final.
Há uma fênix solitária que escorrega docemente pelo riacho silencioso que conduz o guerreiro em forma de água e entrega, pra lá adiante explodir em cores que sobem vertiginosamente ao encontro do reinício. Descem logo em seguida em forma de um véu impressionante, a cachoeira.
Mas eu me pergunto mesmo é por onde andei que não dei conta do passado.
Não importa.
Eu não andei.
Eu sempre voei!!!

Bjus,
Chris.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

AQUILO QUE SE OUVE, O MUITO QUE SE QUER.

Fico pensando o que leva uma mãe a afirmar que a filha ganhará de presente, aos quinze anos, duas cirurgias plásticas.
Parece inconcebível? Mas foi isso que ouví esta semana.
E não se trata de nenhuma deformidade,cicatriz ou correção congênita. É estética mesmo.
O universo que me perdoe, Vinícius também, mas beleza não é fundamental para caminharmos pela terra, para sermos decentes, humanizados, verdadeiramente felizes em nossa essência. Beleza comprada então, traz instinto inferiorizado.
Olhei para o céu,busquei uma nuvem somente de compaixão por aquela criatura, por seus conceitos atrazados de auto-aceitação e que por conseguinte,os havia repassado insistentemente para a filha em tenra idade ainda.
Eu queria entender por que. Até compreenderia se fosse algo de fato gritante ou que aliasse grave impedimento à saúde física. O grave alí era a maneira como se tratava a situação e preferí não me contrapor de modo a evitar transtornos em nossa amizade.
Depois que minha filha passou por aquela cirurgia,todo aquele sofrimento, pensar em qualqueer procedimento cirúrgico está fora de cogitação. Passei a encontrar em minha filha muito mais que uma beleza, busquei por ela e para ela toda a natureza infinitamente bela que existe em uma criança e resolví tratá-la para sempre como uma borboleta que tem em suas asas o colorido pessoal, admirável pela peculiaridade que lhe garante o voo. A liberdade e alegria de colorir os jardins por onde passa e que deles compartilha a responsabilidade quase estéril de deixar o mundo mais colorido! O espelho não mostra mais as imperfeições e estas,quando aparecem,são tratadas de forma natural, pertencentes ao lado menos notável da vida.
É claro que queremos ser perfeitos, a toda hora isto nos é imposto,seja pelos diversos canais que nos cercam,seja pelas pessoas que nos apontam. Mas um corpo perfeito é,antes de tudo,um corpo saudável. Quem vai dizer se é necessário ou não uma intervenção, é a dor. Se ela não existe, se a saúde se sobrepõe, se o inconsciente repousa tranquilo e o ego é suficiente pra brilhar nos diversos setores da vida, sorria para si mesma então,de-se a tranquilidade daqueles que carregam as bênçãos da aceitação. Sucumbir às tentações da vaidade e querer se superar nas medidas supremas da perfeição é bobagem. Nada além de você e sua capacidade merece tanto apreço e perda de tempo.
Não falaria nada sobre estética para minhas filhas, por si só,já são bonitas,capazes, inteligentes. O que decidirem na idade adulta resumir-se-á ao universo particular delas mesmas. Nada a declarar contra o que são agora, nem impôr aos ouvidos alheios qualquer dúvida sobre qualquer parte de seus corpos.
Aquele que está em paz consigo,carrega dentro de si a forma e beleza com a qual deseja que o vejam. Está,portanto, a caminho da sublimação e conforto das estrelas!!!

Á propósito, hoje, uma linda jovem completa vinte e tres anos. Muitas felicidades para Ana Carolina, uma bela borboleta que carrega nas costas tres outras igualmente belas borboletas!!!

Isso me lembra aquela música "you're beautiful... ( it's true! )".

Beijos, leiam-me!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O TEMPO QUE VAI E QUE VEM...OU NÃO!

Há um tempo pra reflexão do nosso cotidiano e há o tempo que não regenera,não exonera nem desmistifica as diferenças. Vejo isso agora,enquanto observo minha filha caçula com ares de expectador enfadonho por estar repassando o mesmo filme. E é mesmo engraçado,não fosse a generosidade da natureza em tê-la feito tão diferente da irmã embora a matéria-prima fosse a mesma.

Minhas filhas me fazem vivenciar duas realidades distintas,porém, o abismo que as separa na etapa de tempo, por vezes se confunde na planície das situações. A mais velha está se formando jornalista, árduo caminho até aqui mas já colhe bons frutos da persistência e comprometimento; a caçula começa este ano nova etapa,exatamente a mesma em que se encontrava a irmã quando ela nasceu. Oportuno? Talvez. O colégio é o mesmo, a ocasião,diferente. E observando a caçula dormir após almoçar me fez rever a mesma cena de dez anos antes. Isso me faz deduzir que não há tempo que modifique certas coisas ou atitudes. Depende somente de nós.

Ouço a pequena narrar o dia na escola, nomeia matérias,lista professores, cerca a perfeição! E tudo é como antes, alguns professores são os mesmos, o primeiro dia de aula é apenas pra integrar, as colegas são ciumentas,algumas desdenham, etc,etc,etc. Vejo-me há dez anos atrás,ouvindo frases firmes e aos poucos desconexas diante do sono eminente. Meus olhos marejam, lembro de dias distantes, se melhores ou piores não importa mais. É como um armário que se abre e vai surgindo aos poucos o que alí está guardado. Uma expedição ao vale das lembranças, da poeira e da chuva. Mas convém fechar a porta lentamente, sem bater, deixando guardados os melhores momentos daqueles anos, os sorrisos de minha primeira princesa e a expectativa pela chegada da segunda.

O tempo é a minha visão e textura. Trabalho-o na condição de mutante experiente, ele se adapta a mim, eu clareio e escureço a meu melhor entender. Se chove, abro a janela, sem medo de chorar! São doces as recordações de agora e enquanto ela dorme, tento rememorar o que vinha depois, busco nas lembranças a alegria matinal na hora do recreio. Fecho o armário,mas convém abrir as janelas do coração, não se adivinha a emoção nem se poda a flor do recomeço!

Beijos doces.




quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PAIXÕES

E eu sei onde terminam as grandes paixões. Sei porque deixam pedras no caminho. Permitem visões, escoriações. Mas nunca sei onde começam. Estranho paladar de ameixas e anis capazes de adocicar e amargar os litros de fetiche que carregam!
Certa vez emprestei ouvidos à uma estranha num trajeto de metrô, que pausadamente narrava a sua desventura amorosa. Cada vez que ela aliava voz e embargo à determinado trecho, adentrávamos túnel sutil e eu, aliviada, acenava com a cabeça negativamente. Devo ter perdido,cautelosamente, os momentos picantes e de maior saudade para aquela criatura que possuía uma postura de mãos indelével. Sorria e chorava numa camada de aceno de mãos impressionante. Poderia enxergar de olhos vendados,toda a palidez da minha interlocutora qdo citava o nome vermelho da culpada: Paixão!
Já me apaixonei. Já contornei o vale da côr púrpura. As asas que me levaram, partiram-se. Voltei pelo solo até reconstruí-las mais tarde. E ainda lembro da névoa azulada que me conduziu ao solo. Foi insólito. Entristeceu, mas renascí.
Então,acalmei a moça e pedí que orasse. Sim,muitas vezes somos rsponsáveis pelos nossos desaventos, no momento em que no descuidamos de nosso lado espiritual e permitimos portas abertas ao desenlace das agruras. Ela entendeu e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, acenou com sorriso mais calmo,de quem encontrou a resposta ao caos interior. Sei lá, às vezes divido palavras com desconhecidos e mais tarde eu mesma as envolvo em meu caminho. Guardei as frases e lágrimas da moça , o adeus de mãos magras e elegantes e a porta do trem fechando-se majestosamente. Guardei o pulsar de seu coração ao falar de momentos de total ausência da razão, de um certo vinho e final de noite entre lençóis. Fiz meu apanhado,mesclei e fechei no baú. Sei lá, posso ser a próxima a precisar dele. Melhor não arriscar, posso não ter a mesma sorte e me expor pra pessoa errada!
E lá se foi o metrô pra próxima estação.
Ou pra próxima paixão!

sábado, 24 de janeiro de 2009

LUTO E ALÍVIO : EMOÇÕES

Esta é,certamente, uma história verídica, cujos fatos andaram quase todos ocultos. Compunham o mais sinuoso dos quebra-cabeças e sua lista de personagens nos remete à nossas próprias vidas.
O ano é 1979. Minha irmã espera a primeira filha e compartilhamos momentos de expectativa em toda família. Por outro lado, minha tia caçula também aguarda a chegada de uma menina após tres filhos homens. Ela vive com meus avós numa pequena casa no mesmo terreno onde mora seu irmão, a mulher e os filhos. São, portanto, duas vertentes, duas tias, ações e pensamentos distintos,mas entrelaçados por um destino inimaginável. É como o vento que remove as areias e mais tarde as trás de volta ou como a tempestade que arrasta os telhados, derruba muros e paredes que se pensava sólidos. Fica-se a lamentar os tijolos caídos,partidos,algo inexplicável e devastador. A arte,definitivamente, não imita a vida,pelo menos não no caso dos tijolos.
Dificuldades existem e são passíveis de gerar soluções cegas e de finais imprevisíveis. Se há os desatentos e inexperientes,há também os que acreditam em suas idéias e as promovem sem esperar oposição. A tia, que era cunhada, convenceu,embasada na realidade absoluta, a entregar a menina que viria para adoção e já tinha quem se propusesse a cuidar da pequena com esmero,carinho e tudo se propunha também a fazer para seu fututo promissor,zelando por sua vida e integridade. Minha tia, mãe de tres e aguardando a tão sonhada menina, concordou. Ambiguidades que não saberia explicar sem passar por um coração aflito, entrelaçado de dor pela escolha e suas consequências, além de ser necessário explicar as verdadeiras e improváveis razões. E assim, tão logo nasceu a bela menina,que chamarei aqui "Laura", a tia que era cunhada, levou-a para os pais adotivos,antes mesmo que experimentasse dos seios de sua mãe, o gosto quente e diferenciado do alimento vital.
Minha irmã, dias antes, dera à luz uma igualmente linda criança, uma menininha que ajudei a cuidar desde seu primeiro dia no mundo e pela qual nutro o mais belo dos sentimentos e imenso carinho. Minha tia que doara a filha, visitou-nos e segurou entre lágrimas a minha pequena sobrinha. Sentí-lhe a dor dilacerante, observei suas lágrimas e enxerguei seu coração amargurado. Ela, apezar de ter tido uma outra menina anos mais tarde,jamais esqueceu-se de "Laura" e permeava um inferno de saudade e angústia, mesmo a outra lhe garantindo estar a criança muito bem.
O ano agora é 2009.
Minhas tias envelheceram e assim como a minha mãe, alguns já haviam partido desta vida. Nunca cheguei a ver a minha prima que fora adotada,mas tinha na lembrança frgmentos desta história,sabia de alguns personagens e corroía-me a vontade de decifrar o enigma. Mas o tempo passou e eu não tivera chance de esclarecer. Estava de volta à cidade para uma visita à família e à minha tia,que era cunhada, pois ela estava gravemente doente e eu gostava muito dela para admitir a idéia de não fazer-lhe uma visita em vida. A mãe de Laura também está muito doente, disseram ser terminal e,juntando tudo, precisava vê-las . Alguns dias depois e a primeira veio a falecer. Silêncio em alguns, lágrimas, muitas delas. Corrí em sua casa, ví meu tio que é irmão de minha mãe, seus filhos,netos e numa conversa, descobrí que Laura também perdera os pais adotivos e manifestara desejo de conhecer a minha outra tia,sua mãe biológica. No entanto, ardia-me a curiosidade de eu mesma conhecê-la e algo em mim esfacelava a razão. Outra hora explico.
No velório da tia, uma outra,minha madrinha, veio apresentar-me uma jovem. Disse-lhe o nome e sentí as pernas dobrarem,o corpo queimar. Era a minha prima, a Laura. Justo no dia do enterro daquela que lhe tirara dos braços da mãe,alegando realismos de causa, estava alí, junto a todos os demais tios, primos,toda família. Minha outra tia, abatida e cansada, repousava sob uma cadeira. Perguntei à minha madrinha por que não as apresentávamos naquele instante e ela me respondeu estar aguardando a oportunidade. "Oportunidade, respondí, se cria". "Vai ser agora".
Enquanto eu levava a tia pra fora, sob um ar fresco e mais leve, minha madrinha levava igualmente a Laura até nós. E como mágica que nos faz explodir em emoção, todos choramos copiosamente ao mostrarmos uma para outra,mãe e filha, causando-lhes enorme esforço para não desfalecer. Jamais,em t oda minha vida experimentei tantas emoções diversas num só dia,num só local. Chorava a morte de uma tia, a lembrança de minha mãe, o reencontro de minha prima com a minha tia. Reví meus conceitos, minhas prioridades e deixei todos os meus problemas do lado de fora. Havia algo de especial e surrealista naquele instante,não seria egoísta. Todos nós estávamos numa profusão de lágrimas e sentimentos. Impossível narrar mais alguma coisa. De certa forma, todos, a família, devíamos algo para as duas,não sei bem por que razão. Ou ausência dela,não sei. Minha sobrinha era a que mais chorava, presumí o que lhe ocorria naquele instante. Ela tinha a mesma idade,fora embalada pela mãe da outra que jamais provara o sabor tênue e indissipável de seu carinho. Ela sabia o significado de tudo que acontecia. Quase trinta anos separara aquele instante e em sua mente, um dilúvio de comoção a afugentava do presente, do lógico.
E eu conseguí falar mesmo embargada e ineficaz nas palavras, que o tempo ajeitava tudo. Recolocava cada tijolinho em seu devido lugar. Nada ficaria sem resposta nem preso às algemas do passado. Felizes os que conseguiam compreender e perdoar. Notórios os que ainda assim, em meio a tristeza do desenlace carnal de alguém querido, tivesse forças para um afago, um doce carinho, uma terna palavra de amor e compaixão.
Experimentei reações opostas, sentimentos totalmente ambíguos e chorei.
Chorei pela tia que partia.
Chorei pela tia que reencontrara sua menina amada.
Chorei por Laura.
Chorei por minha mãe, que certamente previra este momento e dele participara.
Chorei pela possibilidade que a vida oferece e tantas vezes desperdiçamos.
Chorei...mas também pedí perdão e sentí a leveza de ser perdoada.
Os tijolinhos estão em seu lugar, a construção da vida volta a ser admirada, contemplada e abriga corações em flor!!!
O meu profundo agradecimento à Deus pelas lições !