domingo, 18 de outubro de 2009

N SOLUÇÕES

Mil Soluções. Não concordo, mas explico.
Passava por um bairro e chamou atenção o letreiro muito bonito de uma loja: Mil Soluções! O que vendem alí, deixo pra vocês imaginarem. É quase impossível uma loja atender a todos e ter tudo, absolutamente tudo a que se propõe. Existem prazos, burocracias, distâncias de fábrica, na prática não teem as mil, mas uma grande parte do que procurarem no estabelecimento. Ok, então veio a palavra neste meu cérebro de elástico e eu fiquei a pensar. Na verdade as soluções são infinitas para tudo quanto pensarmos ou vivermos, ou ainda buscarmos. Para cada problema, cada percalço, sempre haverá uma saída. Ainda que não esteja visível num primeiro momento, ela está lá, acredite, uma hora desabrocha. Porque nada nesta vida fica devendo resposta e muitas vezes é a mudança necessária que nos encontra. Existem sim, "n" soluções. Mesmo quando nada parece mudar ou responder, é em si uma solução, pois aquilo que não a sustenta, solucionado está. É sua solução, sua vida, aceite-a! Mude então, reinvente-se e num passe de mágica, o resultado se estabelece.O "plano b" deve ser traçado muito antes do "a" entrar em ação em nosso cotidiano. Encurtará o caminho até a saída e nos fará crer que o leque é muito mais aberto e infinito do que se supõe. Sou a primeira a "rezar" o mantra todos os dias. Aquele que nos fala com muita intimidade sobre nós mesmos, nossa força e perseverança. Mil soluções pode até ser que nosso amigo da loja tenha, mas está muito limitado. Tem mais a buscar e não consegue as mil a que se propõe.
'Eu posso.
Eu consigo.
Eu confio na força que nos rege e acalenta.
Eu jamais estarei só.l
Meu Anjo está sempre comigo.
A qualquer momento, algo de muito bom irá me acontecer!
MOMENTUM!"

Beijos,
Anjodecristal.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

UM ANO

Tinha que ser hoje. Apesar da pressa, da correria do cotidiano e das poucas palavras que o tempo me permite agora, não deixaria de comentar esta data. Não nasceu ninguém; não partiu ninguém tampouco, graças a Deus. Mas era preciso comemorar. Não um aniversário qualquer,mas um renascimento e uma esperança. Uma certeza de que nossas preces e pensamentos produzem o milagre da continuação da vida. E não uma vida somente, mas a vida de minha filha!
Hoje, exato um ano depois de uma cirurgia inesperada, veementemente renegada, sofrida e de muito exigir de todos nós, podemos sim e devemos comemorar. Foi tudo muito rápido e surpreendente. Da descoberta, do inesperado, da surpresa e da decisão, passou-se um mês. Depois disso tudo o que nos restou foi a resignação e confiança em todos os envolvidos. Orações e lágrimas, dias de muita força e esperança e tudo agora nos envolve em lembranças. Apenas lembranças.
A cicatriz fica para que nos lembremos dia após dia de quanto valor possui cada abraço, cada beijo, cada sorriso, toda chegada, todo sentimento. Faz-nos ver além do que temos, o custo de uma alegria e das pequenas coisas que nos rodeia. Está alí para que nada mais nos amedronte, que tenhamos sempre a fé como companheira de todas as horas e sobretudo lembrarmos da existência de uma força maior que nos envolve! Ela hoje tem onze anos e quando lhe perguntei se se lembrava de tudo o que passou há um ano, ela respondeu que sim, podia ver e sentir tudo o que aconteceu. Lamentei, na verdade queria mesmo que ela esquecesse e me disse ser impossível diante daquela cicatriz imensa. Uma resposta vinda de algum lugar que desconheço, mas certamente a mais feliz para este momento, foi a que conseguí lhe dar: "Deus colocou esta cicatriz aí para não lhe perder de vista, você é muito especial, Ele sabe disso e mantém Seus olhos em você; é inconfundível e Ele sempre sabe onde você está; assim, estará também eternamente sob sua proteção"!
Deus abençôe os médicos, enfermeiras e toda equipe do HSE que muito fizeram e com todo carinho por minha filha. Deus abençôe todos que oraram e confiaram num milagre.Deus abençôe a todos em nossa volta. Deus abençôe nossa família e acima de tudo, Deus sempre abençôe minha filha!!

Beijos a todos,

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO

Definições à parte, sempre achei o preconceito e a discriminação duas das piores formas de manifestar nossas frustrações e desconhecimentos. Não é difícil entender, mas fica intolerante quando vem do lado que sempre reclama deste tipo de distorção. Há um filme que passa de vez em quando na televisão, acho que é "a família da noiva", onde a moça namora um rapaz e resolve levá-lo para conhecer os pais que moram numa outra cidade e teem uma vida confortável e boa condição financeira. Até aí, um-a-um. Só que ela é negra, ele é branco. O pai da moça reage muito mal a isto e faz tudo pra descartar o cara por "achar" que ele quer apenas se aproveitar da filha e sua herança. E nem vou levar em conta aqui a beleza da moça, pois os dois se amavam e nem passou pela cabeça do rapaz o preconceito e discriminação que o pai dela poderia ter. Porque na verdade, é o contrário que costuma ser questionado. Sociedade não muda, não dá um passo à frente. Tão somente inverte os papéis. Ridículos, diga-se de passagem. O personagem do cara se atrapalha todo na tentativa de mostrar ao futuro sogro que é o amor e não a cor que ele foi mostrar e pedir em casamento. Claro, como é um filme, tudo termina bem. Embora o olhar do sogro e algumas frases tenham ficado marcados para sempre no coitado. Num determinado trecho do filme, o personagem pai leva o rapaz para se hospedar num hotel e deixar a casa dele; o rapaz pergunta desde quando ele havia reservado aquele quarto alí, ao que o sogro responde "desde que ela nasceu". Incrível!!! Ele sempre teve em mente que uma filha mulher e negra deveria ser "protegida" contra qualquer "ameaça". Ainda que a ameaça significasse ser muito feliz e amada, senão para sempre, ao menos por um longo tempo.E mesmo sabendo que ela cresceria e tomaria consciência de suas vontades e lugar no mundo. E ainda, que talvez nem optasse por alguém do sexo oposto. Não, aí o velho surtaria, com toda certeza. Certa vez encontrei um amigo de infância e fomos conversando até ele me perguntar quantos filhos eu tinha etc. Respondí que tinha duas lindas princesas e também quis saber dele. Foi aí que se revelou um grande machista, preconceituoso e discriminador quando respondeu: "Tenho dois filhos homens (e riu), não dou nada pra ninguém". Não vai aqui nenhum preconceito de minha parte pelo fato dele ser negro, mas deixo registrado em letras garrafais para que nenhum outro ouse algum dia e vez tornar a me dizer uma aberração feito esta e encare como eufemismo: ENERGÚMENO, MACHISTA, IMBECIL E TOTALMENTE SEM NOÇÃO DE COISA ALGUMA NESTA VIDA. E SE JÁ ERA DIFÍCIL NOS ENCONTRARMOS QUE FIQUE AGORA TOTALMENMTE IMPOSSÍVEL NESTA VIDA, NEM QUE PARA ISTO EU ME TORNE INVISÍVEL A FIM DE NÃO ME DAR O DESPRAZER DE VER A SUA CARA NOVAMENTE. AH, OUTRA COISA. ENFIA A CABEÇA NO VAZO E DE DESCARGA. O MUNDO AGRADECE.

CHRIS.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A BAILARINA DAS LETRAS

Não tenho grandes pretensões. O pico da montanha não me parece o lugar ideal para se viver . Ainda assim é para lá que me pedem pra ir. Conhecí uma garota, uma bailarina, perfeita em seus movimentos mas que se recusava a viajar, morar em outro país pra se dedicar mais a dança, tornar-se uma grande bailarina. Dizia que tudo de que ela precisava tinha por aqui e nenhum espaço seria melhor do que a própria vida. Tentavam, em vão, lhe convencer de que somente estudando em outros lugares distantes e especializados conseguiria chegar ao ápice da perfeição e estar entre as grandes bailarinas de seu tempo. Isto não a encorajava pois tudo que queria era dançar. Apenas isto. Não queria ser perfeita, nem a primeira, tampouco a grande e favorita. Dançar. E só. Não poderia perder tempo buscando o olimpo enquanto suas pernas buscavam somente o bailar ao ritmo da música e a levar aos palcos para interpretar sua vida. Dançar. E só.
Pensei em mim. Na "bailarina" que eu sou enquanto escrevo. Não quero frequentar nenhuma universidade, nenhum curso extensivo para fazer o que meu coração e alma pedem. Escrever. E só.
Não quero doutorado, nenhum reconhecimento acadêmico ou fardão na minha velhice. Quero tão somente deitar palavras numa folha em branco, fazer bailar as minhas idéias, valsar com este dom que Deus me deu. Quero sentir a brisa que se desprende de cada frase, o sorriso e a lágrima que enfeitam meu rosto a cada parágrafo e a respiração ofegante por cada ponto final que se aproxima. A síntaxe de idéias fantasiosas e relatos maduros ou pueris. Quero o brilho em meu olhar ao repassar o texto pronto e versado, a reticência no conto além da realidade, a combinação dos passos de um poema!
Não, não quero o benemérito de meus escritos. Ouso meu voo solitário, mesclado às letras que compoem as minhas asas.
Quero escrever. E só.

Beijo com carinho,
Cris.

sábado, 22 de agosto de 2009

ESCOLHAS

Sou mais uma exilada de sábado a noite, então aproveito que acabei de vir de uma sessão pipoca com a filhinha e "bateu" aqui uma questão pessoal mas que muita gente por aí se identifica,com certeza.
O filme "Era do gelo III" ( há muito queria ver também,sou louca por estes filmes,hahahaha), muito engraçado e com boas lições. Vale a pena conferir.
Tenho mania de analisar algumas cenas e seus diálogos. Uma em especial deixou-me reflexiva até agora. O esquilo que persegue a noz desde o primeiro filme encontra uma companheira de cena, uma fêmea e...bem,não vou contar as cenas dos dois, hilárias por sinal, mas o que vinha implícito ali. Estranho pois foi exato nisto que pensei a semana inteira. A escolha que fazemos por estar sozinhos, em nossa companhia e de algo que nos fale mais alto,nos dê maior prazer no momento. Saber enxergar a felicidade sem contar com uma outra pessoa é algo fantástico. Não vejo egoísmo nisso. Não faço apologia à solidão, mas é reconfortante saber que estamos bem estando sozinhos. Algumas vezes fazemos escolhas equivocadas e é muito boa a sensação de sairmos delas sem feridas e em prol de algo que nos reconforta e dá mais alegria e satisfação. Ou nem isso, apenas o deslizar de novas idéias,novas metas fazendo crer que sempre haverá possibilidades do lado de lá. Nem sempre teremos a chance de voltar ao ponto de partida e no entanto nos basta a condição de poder resguardar nosso direito de escolha. É isso que vivencio no momento. Gostar de mim, de estar comigo e com todas as minhas manias, meus livros,minhas escolhas. Ter ficado ao lado de outra pessoa por muito tempo me garante agora a opção de estar escolhendo ficar sozinha. E mesmo depois de ter tido outra companhia, poder voltar atrás e reaver esta condição. Me encontrei mais seletiva, menos ansiosa por acertar e isto vem me garantindo melhor adaptação ao meu "eu" verdadeiro que havia sufocado nos últimos anos. Como o esquilo do filme que não se rendeu a sofismas da outra, escolhí mas não correspondí a expectativa do outro, tampouco me adaptei a nova perspectiva e voltei pra minha "noz". Isso acontece, está no contexto desta busca do ser humano. O bom de tudo é saber que pode voltar, que a janela estará aberta e a "noz" me esperará onde estiver,pois é meu objetivo inicial. Se encontrar quem compartilhe disso comigo sem me impedir, tolher ou exigir demais, será perfeito. Se não, fico comigo mesma pois aprecio por demais o que me cabe, as maneiras de agir e pensar que me acolhem, as ações comedidas, o dia de trabalho e esta diversão totalmente despretensiosa com a filha. Vejo como uma nova fase, nada permanente mas que constitui meu caminho neste momento e das coisas as quais não abrirei mão.
Lamento pela "dona esquila", embora ache que o esquilinho foi mais condescendente. E não sou machista, nem vem!!

Cris.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SEGURANDO A ONDA.

Não tenho o emprego dos meus sonhos, mas não posso me queixar. Na idade indescritível e sem ter terminado a faculdade, conseguir emprego e ganhar alguma coisa com ele é um feito digno de medalha. Ok, pode ser de prata, está valendo. O caminho até lá seria longo não fosse a linha amarela e meu sagrado ônibus de todo dia. Fico até feliz pois é rota de praia, a paisagem é linda, o clima mais ameno e consigo ir sentada até chegar a meu destino, coisa rara!! Ontem fez muito calor e quando isto acontece às vésperas da primavera o carioca não pede explicação, foge pra praia. Ja da pra ter uma idéia de como vai o meu querido busão...
Entro, me acomodo em um lugar no corredor mesmo (povo adora uma janelinha), ajeito a bolsa, a pasta de papéis e aprecio a avenida fria e sem atrativos no subúrbio. As rodas deslizam pista afora e conforme vai parando, o ônibus acolhe figuras cada vez mais bizarras, os desesperados por mar,sol e areia. Uma pequena inveja brota,mas é logo afastada, gosto de ser branquinha e não me atrevo a torrar nas areias escaldantes e na salmoura. Então as pessoas vão entrando e se ajeitando, fico observando. Logo se acotovelam e alguns veem parar ao meu lado, de pé. Uau!!!!! Um surfista sarado e sem camisa!! Mas espere aí, a prancha também? Não dava pra ter deixado lá na entrada? Aí começou meu desespero. O "instrumento de trabalho" daquele fortão recém debutante impedia-me de mexer o braço,pois estava "colada" a este. Do lado do bonitão, uma mulata de pouca idade e muita abundância se ajeitava, contorcia a cada passagem de alguém por aquele espaço. Me ofereci pra segurar sua bolsa(enorme) e a oportunista aproveitou e me atirou mais algumas tralhas. Uma senhora resmungava sei lá o que e me pediu que segurasse sua pequena caixa de isopor. Pronto. O andaime em meu colo estava montado. Não via nada a minha frente, não mexia o braço e ainda tinha que ouvir as piadas sem graça dos rapazes em relação a abundância da mulatinha. De repente, senti algo se afrouxar no meu pé e me dei conta de que alguma coisa estava errada. E estava. Uma das tiras da minha sandália havia se soltado. Justo naquele momento?
Não tinha mais nada em que pensar. Rapidamente, me enturmei com a galera da praia, fomos rindo, conversando, dei opiniões e trocamos telefones. Próximo de descer, tirei as sandálias e mandei " em homenagem a vocês, desço descalça, me esperem que logo estarei lá na areia"! Descí às gargalhadas, parecia louca,mas foi a saída que encontrei. A cena foi a pior possível. De saia, blusa branca,toda arrumadinha,perfumada e descalça. O povo lá do busão acenando,mandando beijos e a rapaziada com as mãos no coração num gesto de "amor". Lindo,né? Entrei na farmácia( que graças a Deus vendiam havaianas), comprei uma e fui trabalhar assim, "fashion",como diria minha filha. Na boa, há dias em que se não nos adaptarmos e montarmos o cavalo alado do bom humor, vai tudo pro buraco negro,seremos sugados pelo horror e teremos um dia a menos pra viver. Fiz o meu melhor, deu certo e me rendeu esta crônica. No fim, nada se subtraiu, multiplicou-se.
Ah, e a turma da praia telefonou hoje,hehehehehe. Será??

Beijos,
Dona Cris.

sábado, 15 de agosto de 2009

ALÉM DE TUDO HÁ VOCÊ - PARTE II

Durmo com duas estrelas,
acordo com dois sóis.
Mas além de tudo há você!
Há o enigma da minha história,
o salto da cachoeira,
a vida de dentro pra fora
o sonho de fora pra longe.
Posso ver a janela fechada, trancada,
cortina amassada e sem vida.
Conto as horas passadas, fuga de um para tres.
Mas além de tudo há você.
Ainda percebo o perfume, a roupa lavada,
o coração repetindo o mantra da felicidade e vida.
Se há vida de verdade, há também a espera e a saudade.
Existe o "sim" pra um novo encontro,
um "não" pra deixar partir a vontade,
um "talvez" para ser perdoado
e além de tudo há você!
Asas quebradas e dispostas ao vento,
vã tentativa de enlaçar o tempo,
ferida aberta e dor latente
pelo frio e noite que meu corpo já sente.
Além de tudo há você.
Qual barco que se desenlaça e parte;
Casa abandonada que se desfaz;
qual pergunta que não se responde,
assim vou ficando pra trás.
Há esta madrugada, este pudor que tenho de mim.
Há o sono aguado que chega, implora.
A luz que por si se apaga.
O pensamento desconectado e veloz,
há tudo isso e a minha pseudo paz.
E nela jamais haverá você!!

Dona Cris.