terça-feira, 31 de março de 2009



Puxa...por onde andei? Eu sei, eu só não posso revelar. Ia doer em alguns, arder em outros e causar temor em muitos. Melhor calar-me então. E fazer de conta que nem andei...voei!!
Mas se navegar é preciso, voar é inegável prazer. E eu costumo ver as estrelas bem de perto; assim, costumo pausar o sono em asas férteis e vorazes que não sabem voltar sem o sonho.
É a minha maneira de dizer ao mundo que eu sou a existência da luz e da alegria, da tranquilidade e da paz aquecida ao fogo das paixões e do caminho descoberto. Porque há antagonismos no sentir e no olhar, pois o corpo estremece ao toque,mas os olhos não lamentam a perda. Lapidam os diamantes da evolução do sentimento e passeiam no crepúsculo do que terminou.
Não há volta.
Não há final.
Há uma fênix solitária que escorrega docemente pelo riacho silencioso que conduz o guerreiro em forma de água e entrega, pra lá adiante explodir em cores que sobem vertiginosamente ao encontro do reinício. Descem logo em seguida em forma de um véu impressionante, a cachoeira.
Mas eu me pergunto mesmo é por onde andei que não dei conta do passado.
Não importa.
Eu não andei.
Eu sempre voei!!!

Bjus,
Chris.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

AQUILO QUE SE OUVE, O MUITO QUE SE QUER.

Fico pensando o que leva uma mãe a afirmar que a filha ganhará de presente, aos quinze anos, duas cirurgias plásticas.
Parece inconcebível? Mas foi isso que ouví esta semana.
E não se trata de nenhuma deformidade,cicatriz ou correção congênita. É estética mesmo.
O universo que me perdoe, Vinícius também, mas beleza não é fundamental para caminharmos pela terra, para sermos decentes, humanizados, verdadeiramente felizes em nossa essência. Beleza comprada então, traz instinto inferiorizado.
Olhei para o céu,busquei uma nuvem somente de compaixão por aquela criatura, por seus conceitos atrazados de auto-aceitação e que por conseguinte,os havia repassado insistentemente para a filha em tenra idade ainda.
Eu queria entender por que. Até compreenderia se fosse algo de fato gritante ou que aliasse grave impedimento à saúde física. O grave alí era a maneira como se tratava a situação e preferí não me contrapor de modo a evitar transtornos em nossa amizade.
Depois que minha filha passou por aquela cirurgia,todo aquele sofrimento, pensar em qualqueer procedimento cirúrgico está fora de cogitação. Passei a encontrar em minha filha muito mais que uma beleza, busquei por ela e para ela toda a natureza infinitamente bela que existe em uma criança e resolví tratá-la para sempre como uma borboleta que tem em suas asas o colorido pessoal, admirável pela peculiaridade que lhe garante o voo. A liberdade e alegria de colorir os jardins por onde passa e que deles compartilha a responsabilidade quase estéril de deixar o mundo mais colorido! O espelho não mostra mais as imperfeições e estas,quando aparecem,são tratadas de forma natural, pertencentes ao lado menos notável da vida.
É claro que queremos ser perfeitos, a toda hora isto nos é imposto,seja pelos diversos canais que nos cercam,seja pelas pessoas que nos apontam. Mas um corpo perfeito é,antes de tudo,um corpo saudável. Quem vai dizer se é necessário ou não uma intervenção, é a dor. Se ela não existe, se a saúde se sobrepõe, se o inconsciente repousa tranquilo e o ego é suficiente pra brilhar nos diversos setores da vida, sorria para si mesma então,de-se a tranquilidade daqueles que carregam as bênçãos da aceitação. Sucumbir às tentações da vaidade e querer se superar nas medidas supremas da perfeição é bobagem. Nada além de você e sua capacidade merece tanto apreço e perda de tempo.
Não falaria nada sobre estética para minhas filhas, por si só,já são bonitas,capazes, inteligentes. O que decidirem na idade adulta resumir-se-á ao universo particular delas mesmas. Nada a declarar contra o que são agora, nem impôr aos ouvidos alheios qualquer dúvida sobre qualquer parte de seus corpos.
Aquele que está em paz consigo,carrega dentro de si a forma e beleza com a qual deseja que o vejam. Está,portanto, a caminho da sublimação e conforto das estrelas!!!

Á propósito, hoje, uma linda jovem completa vinte e tres anos. Muitas felicidades para Ana Carolina, uma bela borboleta que carrega nas costas tres outras igualmente belas borboletas!!!

Isso me lembra aquela música "you're beautiful... ( it's true! )".

Beijos, leiam-me!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O TEMPO QUE VAI E QUE VEM...OU NÃO!

Há um tempo pra reflexão do nosso cotidiano e há o tempo que não regenera,não exonera nem desmistifica as diferenças. Vejo isso agora,enquanto observo minha filha caçula com ares de expectador enfadonho por estar repassando o mesmo filme. E é mesmo engraçado,não fosse a generosidade da natureza em tê-la feito tão diferente da irmã embora a matéria-prima fosse a mesma.

Minhas filhas me fazem vivenciar duas realidades distintas,porém, o abismo que as separa na etapa de tempo, por vezes se confunde na planície das situações. A mais velha está se formando jornalista, árduo caminho até aqui mas já colhe bons frutos da persistência e comprometimento; a caçula começa este ano nova etapa,exatamente a mesma em que se encontrava a irmã quando ela nasceu. Oportuno? Talvez. O colégio é o mesmo, a ocasião,diferente. E observando a caçula dormir após almoçar me fez rever a mesma cena de dez anos antes. Isso me faz deduzir que não há tempo que modifique certas coisas ou atitudes. Depende somente de nós.

Ouço a pequena narrar o dia na escola, nomeia matérias,lista professores, cerca a perfeição! E tudo é como antes, alguns professores são os mesmos, o primeiro dia de aula é apenas pra integrar, as colegas são ciumentas,algumas desdenham, etc,etc,etc. Vejo-me há dez anos atrás,ouvindo frases firmes e aos poucos desconexas diante do sono eminente. Meus olhos marejam, lembro de dias distantes, se melhores ou piores não importa mais. É como um armário que se abre e vai surgindo aos poucos o que alí está guardado. Uma expedição ao vale das lembranças, da poeira e da chuva. Mas convém fechar a porta lentamente, sem bater, deixando guardados os melhores momentos daqueles anos, os sorrisos de minha primeira princesa e a expectativa pela chegada da segunda.

O tempo é a minha visão e textura. Trabalho-o na condição de mutante experiente, ele se adapta a mim, eu clareio e escureço a meu melhor entender. Se chove, abro a janela, sem medo de chorar! São doces as recordações de agora e enquanto ela dorme, tento rememorar o que vinha depois, busco nas lembranças a alegria matinal na hora do recreio. Fecho o armário,mas convém abrir as janelas do coração, não se adivinha a emoção nem se poda a flor do recomeço!

Beijos doces.




quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PAIXÕES

E eu sei onde terminam as grandes paixões. Sei porque deixam pedras no caminho. Permitem visões, escoriações. Mas nunca sei onde começam. Estranho paladar de ameixas e anis capazes de adocicar e amargar os litros de fetiche que carregam!
Certa vez emprestei ouvidos à uma estranha num trajeto de metrô, que pausadamente narrava a sua desventura amorosa. Cada vez que ela aliava voz e embargo à determinado trecho, adentrávamos túnel sutil e eu, aliviada, acenava com a cabeça negativamente. Devo ter perdido,cautelosamente, os momentos picantes e de maior saudade para aquela criatura que possuía uma postura de mãos indelével. Sorria e chorava numa camada de aceno de mãos impressionante. Poderia enxergar de olhos vendados,toda a palidez da minha interlocutora qdo citava o nome vermelho da culpada: Paixão!
Já me apaixonei. Já contornei o vale da côr púrpura. As asas que me levaram, partiram-se. Voltei pelo solo até reconstruí-las mais tarde. E ainda lembro da névoa azulada que me conduziu ao solo. Foi insólito. Entristeceu, mas renascí.
Então,acalmei a moça e pedí que orasse. Sim,muitas vezes somos rsponsáveis pelos nossos desaventos, no momento em que no descuidamos de nosso lado espiritual e permitimos portas abertas ao desenlace das agruras. Ela entendeu e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, acenou com sorriso mais calmo,de quem encontrou a resposta ao caos interior. Sei lá, às vezes divido palavras com desconhecidos e mais tarde eu mesma as envolvo em meu caminho. Guardei as frases e lágrimas da moça , o adeus de mãos magras e elegantes e a porta do trem fechando-se majestosamente. Guardei o pulsar de seu coração ao falar de momentos de total ausência da razão, de um certo vinho e final de noite entre lençóis. Fiz meu apanhado,mesclei e fechei no baú. Sei lá, posso ser a próxima a precisar dele. Melhor não arriscar, posso não ter a mesma sorte e me expor pra pessoa errada!
E lá se foi o metrô pra próxima estação.
Ou pra próxima paixão!

sábado, 24 de janeiro de 2009

LUTO E ALÍVIO : EMOÇÕES

Esta é,certamente, uma história verídica, cujos fatos andaram quase todos ocultos. Compunham o mais sinuoso dos quebra-cabeças e sua lista de personagens nos remete à nossas próprias vidas.
O ano é 1979. Minha irmã espera a primeira filha e compartilhamos momentos de expectativa em toda família. Por outro lado, minha tia caçula também aguarda a chegada de uma menina após tres filhos homens. Ela vive com meus avós numa pequena casa no mesmo terreno onde mora seu irmão, a mulher e os filhos. São, portanto, duas vertentes, duas tias, ações e pensamentos distintos,mas entrelaçados por um destino inimaginável. É como o vento que remove as areias e mais tarde as trás de volta ou como a tempestade que arrasta os telhados, derruba muros e paredes que se pensava sólidos. Fica-se a lamentar os tijolos caídos,partidos,algo inexplicável e devastador. A arte,definitivamente, não imita a vida,pelo menos não no caso dos tijolos.
Dificuldades existem e são passíveis de gerar soluções cegas e de finais imprevisíveis. Se há os desatentos e inexperientes,há também os que acreditam em suas idéias e as promovem sem esperar oposição. A tia, que era cunhada, convenceu,embasada na realidade absoluta, a entregar a menina que viria para adoção e já tinha quem se propusesse a cuidar da pequena com esmero,carinho e tudo se propunha também a fazer para seu fututo promissor,zelando por sua vida e integridade. Minha tia, mãe de tres e aguardando a tão sonhada menina, concordou. Ambiguidades que não saberia explicar sem passar por um coração aflito, entrelaçado de dor pela escolha e suas consequências, além de ser necessário explicar as verdadeiras e improváveis razões. E assim, tão logo nasceu a bela menina,que chamarei aqui "Laura", a tia que era cunhada, levou-a para os pais adotivos,antes mesmo que experimentasse dos seios de sua mãe, o gosto quente e diferenciado do alimento vital.
Minha irmã, dias antes, dera à luz uma igualmente linda criança, uma menininha que ajudei a cuidar desde seu primeiro dia no mundo e pela qual nutro o mais belo dos sentimentos e imenso carinho. Minha tia que doara a filha, visitou-nos e segurou entre lágrimas a minha pequena sobrinha. Sentí-lhe a dor dilacerante, observei suas lágrimas e enxerguei seu coração amargurado. Ela, apezar de ter tido uma outra menina anos mais tarde,jamais esqueceu-se de "Laura" e permeava um inferno de saudade e angústia, mesmo a outra lhe garantindo estar a criança muito bem.
O ano agora é 2009.
Minhas tias envelheceram e assim como a minha mãe, alguns já haviam partido desta vida. Nunca cheguei a ver a minha prima que fora adotada,mas tinha na lembrança frgmentos desta história,sabia de alguns personagens e corroía-me a vontade de decifrar o enigma. Mas o tempo passou e eu não tivera chance de esclarecer. Estava de volta à cidade para uma visita à família e à minha tia,que era cunhada, pois ela estava gravemente doente e eu gostava muito dela para admitir a idéia de não fazer-lhe uma visita em vida. A mãe de Laura também está muito doente, disseram ser terminal e,juntando tudo, precisava vê-las . Alguns dias depois e a primeira veio a falecer. Silêncio em alguns, lágrimas, muitas delas. Corrí em sua casa, ví meu tio que é irmão de minha mãe, seus filhos,netos e numa conversa, descobrí que Laura também perdera os pais adotivos e manifestara desejo de conhecer a minha outra tia,sua mãe biológica. No entanto, ardia-me a curiosidade de eu mesma conhecê-la e algo em mim esfacelava a razão. Outra hora explico.
No velório da tia, uma outra,minha madrinha, veio apresentar-me uma jovem. Disse-lhe o nome e sentí as pernas dobrarem,o corpo queimar. Era a minha prima, a Laura. Justo no dia do enterro daquela que lhe tirara dos braços da mãe,alegando realismos de causa, estava alí, junto a todos os demais tios, primos,toda família. Minha outra tia, abatida e cansada, repousava sob uma cadeira. Perguntei à minha madrinha por que não as apresentávamos naquele instante e ela me respondeu estar aguardando a oportunidade. "Oportunidade, respondí, se cria". "Vai ser agora".
Enquanto eu levava a tia pra fora, sob um ar fresco e mais leve, minha madrinha levava igualmente a Laura até nós. E como mágica que nos faz explodir em emoção, todos choramos copiosamente ao mostrarmos uma para outra,mãe e filha, causando-lhes enorme esforço para não desfalecer. Jamais,em t oda minha vida experimentei tantas emoções diversas num só dia,num só local. Chorava a morte de uma tia, a lembrança de minha mãe, o reencontro de minha prima com a minha tia. Reví meus conceitos, minhas prioridades e deixei todos os meus problemas do lado de fora. Havia algo de especial e surrealista naquele instante,não seria egoísta. Todos nós estávamos numa profusão de lágrimas e sentimentos. Impossível narrar mais alguma coisa. De certa forma, todos, a família, devíamos algo para as duas,não sei bem por que razão. Ou ausência dela,não sei. Minha sobrinha era a que mais chorava, presumí o que lhe ocorria naquele instante. Ela tinha a mesma idade,fora embalada pela mãe da outra que jamais provara o sabor tênue e indissipável de seu carinho. Ela sabia o significado de tudo que acontecia. Quase trinta anos separara aquele instante e em sua mente, um dilúvio de comoção a afugentava do presente, do lógico.
E eu conseguí falar mesmo embargada e ineficaz nas palavras, que o tempo ajeitava tudo. Recolocava cada tijolinho em seu devido lugar. Nada ficaria sem resposta nem preso às algemas do passado. Felizes os que conseguiam compreender e perdoar. Notórios os que ainda assim, em meio a tristeza do desenlace carnal de alguém querido, tivesse forças para um afago, um doce carinho, uma terna palavra de amor e compaixão.
Experimentei reações opostas, sentimentos totalmente ambíguos e chorei.
Chorei pela tia que partia.
Chorei pela tia que reencontrara sua menina amada.
Chorei por Laura.
Chorei por minha mãe, que certamente previra este momento e dele participara.
Chorei pela possibilidade que a vida oferece e tantas vezes desperdiçamos.
Chorei...mas também pedí perdão e sentí a leveza de ser perdoada.
Os tijolinhos estão em seu lugar, a construção da vida volta a ser admirada, contemplada e abriga corações em flor!!!
O meu profundo agradecimento à Deus pelas lições !

domingo, 4 de janeiro de 2009

- OPOSTOS -

Para o reveillon, minhas duas filhas estiveram em diferentes lugares, cada uma comemorando do seu jeitinho muito peculiar, com total ausência de preocupações e cercadas de gente que as ama.
Fernanda, a mais velha, foi para o sul, a virada seria em Gramado e passeou por toda a região. Lindas fotos, belos lugares e muito frio. Luísa foi comigo pra região dos lagos, divertido momento e muito calor.
Opostos. E isso me lembrou de falar sobre isso. Opostos.
Sempre significa problema. Já viram algo que não seja?
Nem eu.

Viro a cabeça procurando o que me baste como definição, sossego de ideia e não encontro. Abasteço-me a alma em jorros de erros ortográficos e o papel segue em branco. Hora destilo alegrias, hora indigesto paixões. Dia de tempero apimentado, noite de solidão. Malgrado as horas de espera, imploro tempo veloz.
Todas as melhores coisas da minha vida vieram de opostos. As piores tranformaram-se neles. E eu não sei se lamento ou agradeço. Tenho muita dificuldade em me deixar viver por opostos, mas por outro lado a segurança que dá saber que sou diferente, interpõe-se à dor da verdade. Hoje, o que não tenho, não mais me atrai e o que me dou se estabelece na suficiência. Já me dizem que ando "o bastante" demais,isso afeta?? Mas o sonho ainda vive, se isso interessa saber aos que atiram pedras. Opostos se repelem...no meu caso.

E então, a do frio voltou e nós, do calor, pudemos enfim nos abraçar comemorando o início de nova etapa,novos desejos e promessas ambulantes. Mas sempre olhando acima do horizonte! E passeando os pensamentos... por opostos.

Beijos, leiam-me!!!


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mais um ano se vai e eu ausente do meu blog.
Sem problemas.
Ando introspectiva demais, saber ou não da existência de certas coisas, prover algumas mudanças, abraçar vertentes já desativadas, me deixou assim. Fazer o que. Aliás, façamos o seguinte, eu e vcs que me acompanham e deliram comigo,rsrsrs: Deixemos que 2009 venha, rebata em nossas casas, adentre nossos corpos e mentes, sintamos dele todo sabor de esperança e fadiga pelas andanças até aqui. Copiemos sua juventude, disposição e prazer em festejar. Um trato de reis e rainhas,sem dúvida, mas também de muita alegria . Tranquemos à sete chaves o ano ingrato que se foi, que nos deixa apenas a memória e nem sequer apagou a luz. Assim, brindemos logo com as mais belas taças e o mais saboroso champagne!! Deem cá um abraço e rodopios de felicidade, podem até pisar nos meus pés,mas levantem-me se eu não suportar a dor!!!

Me deem mais uma chance, aguardem os meus textos com carinho e um sorrisão que só vcs sabem me dar.

FELIZ 2009 PRA TODOS, PRA GENTE, PRO MUNDO!
Beijos com amor,
Christal.